Aroldo Pinheiro

    Aroldo Pinheiro

    Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

    Terça, 31 Março 2026 15:26

    O Pit Stop é o dono da noite

    HOJE VAI TER PIT STOP / VOU ENCONTRAR COM VOCÊ / NÓS VAMOS NOS DIVERTIR / E CANTAR KARAOKÊ (ALCIDES LIMA)

    As palavras do poeta, acima, são muito simples e contidas para traduzir o espírito de um dos botecos mais antigos e movimentados da cidade. Para o taxista Marcos Ataíde de Bragança - que, apesar do sobrenome, não tem nenhum parentesco com a realeza brasileira -, "o 'Pit' está para a noite boa-vistense assim como o Monumento ao Garimpeiro está para os cartões postais da capital mais setentrional do País. Referência".

    Até bem pouco tempo, a fama do lugar era de estar sempre com as portas abertas para receber quem procurava lugar para fugir de insônia. "Depois da Pandemia, o movimento caiu e tivemos que nos adaptar. Hoje, funcionamos às terças, quartas e quintas até as 4h da manhã; às sextas e sábados, até as 6h; e domingos, novamente, até as 4h", diz o proprietário, Airton Mota - que, apesar do sobrenome, não tem nenhum parentesco com João Capistrano, pioneiro e patriarca da maior família roraimense.

    Airton, natural de São Carlos do Ivair (PR), descobriu Roraima em 1982, depois de questionar sua mãe, Juracy, sobre parentes que ela deixara em sua terra natal ao mudar-se, com o marido, para o Sul do País.

    Depois de conhecer avó, tios e primos, em Roraima, ele ainda circulou por boas partes do Brasil até decidir voltar e estabelecer-se em Boa Vista, onde sua existência foi rascunhada. "Voltei em 1999, quando a Prefeitura implantava o Complexo Airton Senna e preparava alguns quiosques para exploração comercial. Não satisfeito com os resultados de seu empreendimento, o concessionário original concedeu-me os direitos sobre o local onde está o Pit Stop", diz o empreendedor.

    E segue: "No início, a quadra anterior, em frente ao Clube dos Oficiais, com venda de guaraná, sorveteria e choperia - e música ao vivo - concentrava o movimento do Complexo. Nosso diferencial, então, era conservar a lanchonete aberta depois que as outras encerrassem seus trabalhos. Aderimos à moda, então difundida em todo o País, investimos em equipamento de karaokê com rudimentares caixas de som que, rapidamente, começaram a atrair mais e mais clientes". Detalhe: naquela época, o equipamento oferecia 200 músicas; hoje, 10.500.

    E assim, de terça a domingo, a partir das 18h, dezenas de mesas e cadeiras são espalhadas sobre o gramado em volta do boteco. Pessoas que vêm para uma cervejinha depois de um dia de trabalho se misturam a aqueles que vêm com ideia de fazer farra.

    O hábito de reunir colegas para festejar aniversários no karaokê é antigo. Há clientes, entretanto, que vêm só para desopilar o fígado por meio de sua própria cantoria.

    O Pit é democrático ao acolher integrantes de todas as tribos, diferentes credos, orientações sexuais e classes sociais. "Se você quer se divertir, tomar cervejas geladas ou fazer refeição rápida, dirija pela avenida Capitão Ene Garcez e, antes de chegar à rotatória, no estacionamento do seu lado esquerdo, ocupe vaga e prepare o espírito para encontrar o mais alto astral. Ah, prepare as oiças para bons e péssimos cantores.

    Por estar a poucos metros do Aeroporto Internacional Atlas Cantanhede, o Pit serve de sala de espera para quem vai buscar algum passageiro. Não é incomum que viajantes recém-chegados em voos noturnos parem no local para uma cervejinha e forrar o estômago, compensando o jejum que as companhias aéreas promovem atualmente.

    Há, também, quem se uitilize do Pit para tomar a saideira antes de embarcar no avião. Casos de pessoas que perderam voos por causa do "dá pra tomar mais uma" não são raros.

    O Pit Stop também se insere no calendário cultural de Boa Vista. De dois em dois anos, a casa promove show de calouros com prêmios substanciais para os três primeiros lugares. Antes, o concurso era realizado no mês de abril, mas, por causa das chuvas de estação, a partir deste ano, 2026, será em setembro.

    Josué da Silva Cavalcante

    Josué vem ao Pit pelo menos uma vez por mês. Com a namorada, ele escolhe lugar privilegiado e larga o pau na cantoria. E não é que o menino agrada?

    Iolene Koide

    A amazonense Iolene Koide, gerente do boteco por 10 anos, depõe: "Eu comandava o Pit como se fosse meu. Tinha prazer de me
    relacionar com todos os clientes. Trabalhar no Pit era terapia". Iolene é uma das mentoras da instituição do concurso de calouros.

    REBORDOSA - Em 2019, durante as reformas do Complexo, o Pit mudou-se provisoriamente para a avenida Mário Homem de Melo. "Período cinzento, pois as pessoas já estavam acostumadas com a estrutura que oferecíamos. Voltar para o endereço original, já ampliado, exigiu altos investimentos, até chegarmos ao período negro, trazido pela pandemia de covid 19, quando fomos obrigados a fechar as portas e demitir funcionáros desembolsando muito dinheiro para honrar direitos trabalhistas", relata Airton.

    Robert Dagon

    Aposentado pelo Banco do Brasil, 68 anos, frequentador assíduo do Pit Stop, Robert Dagon diz: "Aqui eu encontro minha liberdade".

    Hoje, O Pit conta com 26 funcionários treinados para bem atender e equipamentos eletrônicos de última geração para facilitar a vida dos amantes de karaokê.
    O Pit é, também, em Boa Vista, um dos principais pontos para paquera. Sejam para encontros fortuitos ou coisa séria.

    Dennis Martins

    O jornalista e cantor de toadas Dennis Martins diz ter conhecido e engatado namoro com seu ex-marido no Pit. Depois de 19 anos o casamento chegou ao fim. Assíduo no lugar, ele deixa transparecer esperanças: "Um novo amor? Quem sabe...?"

    Dennis sagrou-se duas vezes campeão de concursos de calouros ainda no início do século.

    Mariinha Mota 

    A frase de Vinícus de Moraes, no Samba da Bênção, "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida", serve para histórias surgidas na noite pitstopiana.

    Enquanto o Príncipe das Toadas começou um grande amor no boteco, Mariinha Mota conta que desmanchou relacionamento sério quando resolveu dar uma incerta e encontrou o namorado nos braços de outra.

    À reportagem ela disse que "depois de 23 anos desde aquele desacerto, hoje é minha primeira noite no Pit Stop".

    Bem vinda de volta ao boteco mais promissor de Boa Vista, Mariinha!

    Evilânia Oliveira 

    Desfile de gente bonita e descolada também está no cardápio do Pit Stop.

    Na noite dessa reportagem, a esteticista e cunhã-poranga da banda de Dennnis Martins, a paraense Evilânia Oliveira, despertava suspiros masculinos e inveja feminina ao esbanjar charme e elegância circulando entre as mesas.

    João Nelson VIcente

    O Pit também tem fiéis frequentadores esporádicos. Isso mesmo: fiéis frequentadores esporádicos. O arquiteto carioca João Nelson Vicente, que já explorou barzinho na capital boa-vistense nos anos 1980 (leia-se Hifen - O Traço de União) resume o boteco em poucas palavras e profunda inspiração: "O Pit Stop é o Bar da Viúva sabor Lapa".

    REFORMA - Atualmente, em fase de expansão, Airton decidiu criar, dentro do Pit Stop, um espaço para atender pessoas que buscam um cantinho mais discreto, com atendimento VIP. Uma das paredes desse cantinho foi escolhida para estampar um pôster com imagem do poeta, compositor, escritor, membro da Academia Roraimense de Letras, engenheiro agrônomo e advogado Alcides Lima Filho, além da letra de música que ele compôs em homenagem ao boteco.

    Airton Mota, o proprietário, e Alcides Lima Filho, advogado, poeta e compositor,  discutem planos para  Pit Stop 

    NOVIDADE – Quem passa pelo Pit Stop entre as 11h30 e 14h vê grande movimentação. É que, agora, a casa também oferece almoço na modalidade por quilo. No domingo, 22 de março, a reportagem do Roraima Agora esteve no restaurante, provou e aprovou a comida gostosa servida por lá.

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    Sábado, 07 Março 2026 02:18

    Dona Jarib vence a barreira dos 100 anos

    Para a maranhense de Bacabal: o importante é a Palavra de Deus.

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    Sexta, 06 Março 2026 17:49

    Segad: um prédio pra chamar de seu

    Denarium cumpre promessa de campanha e inaugura moderno prédio para acomodar a Segad

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    Sexta, 06 Março 2026 04:40

    Chorando alto na praça

    Em Maceió, grupo eclético se reúne toda semana para valorizar a boa música brasileira (Fotos: AROLDO PINHEIRO)

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    Quinta, 22 Janeiro 2026 02:08

    Banca de revistas vira ponto turístico

    ESTABELECIMENTO COMEMORA 65 ANOS DE EXISTÊNCIA, ADMINISTRADO PELO SEU ÚNICO DONO

    BRASÍLIA - Hoje, com 88 anos, Lourivaldo Marques veio para o Distrito Federal no fim da década de 1950 com o sonho de dias melhores. E conseguiu.
    A Nova Capital ainda se preparava para a sua inauguração quando Lourivaldo, baiano de Irecê, vendia laranjas e bugigangas pelo barro vermelho dos canteiros de obras. Com a inauguração de Brasília, ele teve a ideia de erguer, em terreno da SQS 308, um barraco onde venderia, também, jornais e revistas. Mais tarde, com interferência de um correspondente do jornal O Globo, conseguiu autorização para erguer, em definitivo, em alvenaria, sua banca de revistas na SQS 108.

    Ali perto, está a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, primeiro templo católico construído em alvenaria no que viria a ser Brasília. Projetada, também, por Oscar Niemeyer, inaugurada em 1958, a Igrejinha é um dos pontos turísticos mais visitados do Distrito Federal.

    Enquanto a indústria de noticiosos impressos sucumbe, Lourivaldo resiste. “A venda de jornais e revistas está no fim. A internet chegou com força. Revistas como a Veja e a Istoé eram aguardadas com ansiedade. A gente vendia até 50 exemplares do Correio Braziliense num único dia. Hoje, recebo seis exemplares do maior jornal de Brasília e devolvo um ou dois. Para sobreviver, tive que me reinventar”, conta o pioneiro.

    Na banca da 108 Sul, pode-se comprar balas, chocolates, sorvetes, água de coco. Do meio gráfico, Lourivaldo passou a investir pesado em revistas de passatempo e palavras cruzadas e, hoje, ele é o maior revendedor de Coquetel e Recreativa do Brasil central. Aficionados agradecem. “Tem gente que vem aqui só pelas palavras cruzadas. Alguns compram de cinco, dez exemplares só para mandar para amigos de outros estados”, relata o comerciante.

    Árvore Mística – Em 1963, para proteger-se do sol da manhã, Lourivaldo plantou duas pequenas mudas de fícus italiano a poucos metros da banca. As árvores cresceram, as copas se juntaram e, atualmente, as raízes suspensas se espalham por 20 metros quadrados, oferecendo um túnel de 1,5m de largura que termina na lateral da banca.  

    O túnel deu oportunidade a que a união dos vegetais fosse batizada de Árvore dos Desejos e difundir-se a crença de que “ao passar por ali, com pensamento forte, seus desejos se realizam”. Lourivaldo se diverte com a crendice. E agradece: “Muita gente vem aqui para conhecer e fazer foto dos fícus e sempre compra alguma coisinha de nós”, comenta sorrindo.

    Lourivaldo mora em Valparaiso de Goiás (GO), cerca de 35km de Brasília - meia hora de carro.. Faça chuva, faça sol, ele vem abrir sua banca diariamente. Perguntado se já recebeu proposta para vender a banca, ele diz que não, “Vou morrer com ela”, encerra.

    O túnel da "Árvore dos Desejos": entrada, saída e, no fundo, a Banca da 108 Sul           Os ficus italianos em primeiro plano, a Banca da 108 Sul logo depois, e o Bloco A da SQS 108 ao fundo

     

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    Quarta, 14 Janeiro 2026 14:43

    Porandubas - Discrição é tudo

    O Mundo passava por mudanças. Boa Vista, como parte do mundo, também se modernizava: energia elétrica 24 horas por dia, pequenas mercearias davam lugar a supermercados, Almir França entrava no mundo Dancing Days e abria a primeira discoteca da cidade, o roraimense passou a conhecer e consumir pizzas... E por aí vai.

    Cansado das incertezas e perigos do garimpo, cidadão resolveu investir na construção de um motel. "Chega dessa furunfação no lavrado e nas beiras de igarapés. Boa Vista está ficando perigosa e temos que proteger nossos amantes", pregava ele.

    E, em alguns meses, o templo do amor estava pronto.

    Como divulgar o empreendimento sem ferir a moral e os bons costumes locais, sem ferir a dignidade da pacata carolice da cidade?

    O investidor resolveu contratar, para gerente, um cidadão muito bem relacionado com a sociedade local e incumbiu-o de divulgar o motel no sistema boca a boca, conversinhas de pé de ouvido, incisivo, mas sem alarde.

    Sábado de manhã, sabendo do hábito que o boa-vistense tinha de tomar cervejas até mais tarde, antes de seguir para o almoço, o gerente chega às mesas lotadas do Maracangalha, boteco que ficava na Jaime Brasil, se aproxima de um dos grupos e, se abaixando, como se contasse um segredo anuncia:

    - Gente, nós inauguramos o primeiro motel da cidade. Agora, quem tiver seus casos, não precisa mais correr risco de ser pegado sem calças no meio do lavrado ou na beira de igarapés. Oferecemos conforto e segurança a precinho especial...

    Ninguém fez nenhum comentário e ele acrescentou:
    - Também nos preocupamos com discrição... Ontem, por exemplo, o prefeito entrou e saiu com aquela loira gostosa, irmã do Ozimar, e ninguém nem deu conta.

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    A literatura infantil tem conquistado milhares de novos leitores nos últimos anos. O vício do celular começa a perder espaço para o livro de papel. São obras elaboradas com muita criatividade, bem ilustradas, nas quais histórias cativantes prendem a atenção da garotada, em aventuras bem legais.

    O advogado e escritor Tilho Filgueiras é um dos expoentes do segmento em Roraima. Apesar do extenso currículo jurídico, incluindo mestrado em Direitos Humanos em São Paulo e várias especializações, esse roraimense, criado em casarão mágico em Boa Vista, se realiza na literatura. Aliás, já era considerado pelos professores menino de talento na infância e adolescência, quando começou a escrever histórias.

    Em 2011, Tilho lançou o seu primeiro livro, "Nazareth Filgueiras Contou-me Sua História”. pela Editora Biografia, no qual retrata a vida de sua avó paterna, cuja história se confunde com a de Boa Vista. Narra a saga de uma mulher à frente do seu tempo, que testemunhou fatos importantes da história da capital de Roraima.

    Tilho é membro da Academia Roraimense de Letras (ARL) desde 2021. Sua produção literária inclui cinco livros, sendo quatro deles da série infantojuvenil “O Casarão das Sete Mangueiras”, lançados pela Editora Floresta das Letras, da qual é proprietário. Seu filho Daniel, com 16 anos, é personagem principal dos livros da série. Conhecido como Daniel Sapeca, o garoto leva os leitores a aventuras incríveis pelas terras roraimenses. - Minha obra é ambientada no Estado de Roraima e tenta resgatar as tradições, costumes, lendas, mitos, potenciais turísticos e saberes de nossa terra - explica o autor. Os leitores mais jovens são responsáveis pela preservação dos nossos costumes e das nossas tradições.

    É uma aventura emocionante pelo universo da cultura e tradições de Roraima -, analisa. Daniel, 16 anos, fala com orgulho da obra do pai. Mais ainda por ter sido homenageado com o nome do personagem principal. Diz:- É muito interessante quando você lê um livro e se identifica com algum personagem. Mais interessante é você ler o livro e você ser o protagonista. É uma sensação que eu não sei explicar. Sensação de gratidão ao meu pai, ótimo escritor, que sempre me inseriu na literatura modernista brasileira. Os livros contam bastante sobre as lendas, patrimônio histórico de Boa Vista, nossas terras raras. Mais importante, direcionados ao público infantojuvenil, mas também interessante ao público adulto. Tenho eterna gratidão por ser o personagem.

    Maratona de autógrafos

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    Sábado, 06 Dezembro 2025 03:19

    O ditador separa e a música junta

    O êxodo venezuelano separa familiares, amigos e parentes, mas, no outro lado, promove encontros de valores artísticos que surpreendem

    Com o advento de Nicolás Maduro à presidência, em 2013, o caos político e econômico tomou conta da Venezuela, levando mais de cinco milhões de pessoas a fugirem de seu país em busca de melhores condições de vida. Desses,  cerca de 300 mil estão no Brasil. Em qualquer lugar de Boa Vista, ouvem-se termos espanhóis pronunciados por expatriados que ocupam vagas em todos os setores produtivos do Estado.

    Se Nicolás Maduro provocou a separação de famílias, de grupos, oportunizou o nascer de novos relacioamentos, sejam de amizade, negócios ou arte. Exemplo disso é a dupla Avenida y Bohemia, que, utilizando-se de vozes, violões e kazoo (curioso instrumento de sopro) e caixa amplificada, fazem música popular de bom gosto e seguem tocando por bares, restaurantes, lanchonetes e esquinas da vida. Pablo Baute, 43, natural de Puerto Ordaz (VE), chegou a Boa Vista em 2016 onde, para sobreviver, submeteu-se aos mais brutos e humilhantes serviços, sem perder a esperança de poder trabalhar com música. Enrique Portal, 39, caraquenho, aceitou convite de um grupo de malabares para correr mundo vivendo de doações  e, em 2018, na praça de alimentação do estacionamento do Estádio Canarinho,  conheceu Baute. Ao verem que seus interesses musicais convergiam, depois de alguns ensaios, sentindo que  suas personalidades e sonhos se encaixavam, criaram o Avenida Y Bohemia. Claro que não foi simples assim. Para chegar aonde está, a dupla passou por muitos ensaios, por muitos encontros, por muita discussão até decidir repertório, arranjos, adaptações, detalhes. Ultimamente, a dupla tem se apresentado nas manhãs de sábado, das 8h30 às 11h, no Café Brasil (lanchonete na Praça João Mineiro). 

    Como (ainda) não dá para viver só de música, eles fazem das tripas coração para adaptarem os horários de suas atividdes de subsistência com os interesses da banda. "Esses encontros no Café Brasil também servem de ensaio, servem para que vejamos alguma falha e tratemos de corrigi-las", diz Enrique.

    A psicóloga Carmem Cabral Garcia, que, aos sábados, frequenta o Café Brasil, gosta de ouvir os venezuelanos cantando. "Eles são afinados, têm um bom repertório e o sotaque espanhol ao cantar músicas em inglês e português acrescenta um charme especial ao trabalho deles", comenta.

    Sobre o repertório, Enrique diz que as músicas brasileiras dos anos 1970 e 1980 são muito boas. Têm letras profundas, têm poesia e sempre agradam. "Antes de incluir uma música no nosso repertório - seja em inglês ou português - a gente procura entender o que o autor quer dizer para que, assim, possamos interpretar as palavras dele", justifica.

    Kazoo -  Durante os show, Enrique, muitas vezes, recorre ao kazoo para complementar os arranjos que, originalmente, seriam feitos por metais, como se fora o som de um saxofone. O kazoo, um popular e acessível instrumento de sopro, cujo desempenho é proporcionado pela vibração de uma membrana, faz-se presente. Para tocá-lo, o músico não deve soprar, mas sim cantar e/ou vocalizar através dele, o que adiciona um timbre metálico e "zumbido" à voz. 

     

    Kazoo

    O instrumento é originário da Àfrica e é muito utilizado em rituais daquele continente. O seu design moderno foi desenvolvido e patenteado pela Alabama Vest, dos Estados Unidos. Há versões em metal, plástico ou madeira.

    Dupla de três - Quando surgiu, o Avenida Bohemia, contava com a percussão do, também venezuelano, Fernando Millan. Por ter seu tempo voltado para outros projetos, hoje, Millan só figura na banda como participante especial. Quer contratar os rapazes? Faça-o por meio do Instagram AVENIDA BOHEMIA ou do WhatzApp: 9598412-9830

    A dupla em sua composição de trio: Fernando Millan, Enrique Portak e Pablo  Baute (Instagram)

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    Truculentos, sem dar chance de o cidadão se explicar, policiais prendem inocente        que passa pelos piores 11 dias de sua vida nas mãos do sistema prisonal 

    10h30 do dia 19 de outubro. Entretido com o nivelamento do contrapiso do cubículo que seria usado como depósito e mostruário das peças artesanais produzidas por sua família, o indígena vê três homens invadirem o terreno de sua morada. Eles lhe perguntam seu nome e, ao ouvir “Leonel José da Silva”, imobilizam o pequeno wapixana, colocam--lhe algemas e comunicam:

    — O senhor está preso!

    — Calma… preso por quê? Eu não fiz nada. Sou inocente…

    — O senhor pode ter esquecido, mas a Justiça não esquece.

    — Moço, deixa eu pegar meu documento, deixa eu falar com minha mulher… Eu sou inocente…

    Sob olhares de curiosos que se posicionam na rua, Leonel é arrastado até a viatura e, antes de ser jogado no camburão, ouve: — O senhor vai ter muito tempo pra ensaiar o que dizer de sua inocência ao juiz…

    Lá de trás, do módulo usado para a produção de artesanato, Ana, esposa de Leonel, corre para ver o que está acontecendo. Não deu tempo. Do portão, só viu a viatura se afastando. Ali começava a saga da família wapixana.

    Sem nenhuma ideia do que estava ocorrendo, eles precisavam descobrir para onde o patriarca havia sido levado, por quê e o que fazer para tê-lo de volta. Márcio Alexandre, o filho mais velho, sem nenhuma experiência com polícia, justiça ou advocacia, teve que fazer mágica e correr contra o relógio para libertar o pai. Enquanto isso, entre cadeia, IML, audiência de custódia e penitenciária, ninguém ouvia o clamor de inocência de Leonel.

    Ninguém se preocupou em verificar se o homem preso era, de fato, o homem procurado. Uma sequência de erros grosseiros cometidos por autoridades levou um inocente a viver os piores dias de sua vida.

    Apesar de não ter nenhuma passagem por delegacias, o indígena da etnia wapixana, Leonel José da Silva, 53 anos, foi preso em sua residência e recolhido à Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, onde permaneceu por onze dias — apesar de tentar mostrar, o tempo todo, que sua prisão era um grande erro. Homônimo — A ordem de prisão deveria ter sido cumprida contra outro homem: Leonel José da Silva, conhecido como Zé do Óleo, nascido em 25 de agosto de 1961, filho de José Peter da Silva e Joana Milton da Silva.

    Embora todos esses dados de Zé do Óleo estivessem registrados em todas as etapas do processo, agentes policiais coagiram e prenderam o homônimo, Leonel José da Silva, sem checar as dados e nem ouvir os apelos do inocente.

    O Habeas Corpus impetrado pelas advogadas Fernanda Félix Cordeiro e Luciane Xavier Cavalcante pôs fim ao erro processual e ao sofrimento do inocente wapixana que, no dia 20, voltou para o seu lar.

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