Segunda, 03 Setembro 2018 14:51

    No outro lado do mundo

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    No outro lado do mundo Arquivo pessoal

    Roraimado atravessa o mundo em busca de dias melhores

    Mudar o roteiro de vida exige coragem. O professor de Geografia, pós-graduado, Rodrigo de Assis Ferreira, 35 anos, ousou sair do Brasil e ir morar ali pertinho, no Japão. Nascido no Rio de Janeiro, chegou a Boa Vista com 10 meses de vida. Aos 15 anos de idade, o padrasto e a mãe trocaram Roraima pelo Paraná. Lá conheceu a esposa,

    Cláudia, descendente de japoneses. Ela morara no Japão por oito anos. Casaram-se em 2007 e logo puseram o pé no jato.

    Rodrigo saiu do Brasil com vaga assegurada na indústria. “Ninguém fica sem emprego no Japão”, garante. “Só precisa ser disciplinado, competente e organizado, pois os empregadores são exigentes”, complementa. Ao chegar, tratou de aprender o japonês, idioma que hoje fala e escreve bem.

    Difícil foi adaptar-se à alimentação. Acostumado com carne vermelha, produto caríssimo no Japão, aprendeu a comer peixes, saladas e algas, base alimentar local. Come devagar, em porções pequenas. Nem se preocupa com a balança, claro.

    Há dois anos, Rodrigo mudou de ramo de atividade. Como tem nível superior, foi aceito na área de saúde. Agora, cuida de pessoas com necessidades especiais, serviço considerado essencial no país. “A empresa onde trabalho aceitou minha experiência no Brasil, com o meu falecido padrasto, vítima de AVC”, explica.

    O casal tem dois filhos - Daniel e Amanda -, nascidos no Japão e registrados no consulado brasileiro. O menino sofre de autismo, outro fator importante no momento da mudança de setor profissional de Rodrigo.

    O padrão salarial varia de setor. Mesmo assim, Rodrigo mostra a realidade a quem queira aventurar-se na Terra do Sol Nascente: “A indústria paga bem, mas exige dedicação absoluta. O japonês prioriza o trabalho e o comprometimento do trabalhador”, diz ele. “Se quer ficar rico em pouco tempo, esqueça. Você tem qualidade de vida,

    Segurança, boa educação, saúde de primeira, estabilidade, lazer em parques. Com o tempo, tudo acontece, mas riqueza é viver bem”, finaliza.

    Segurança no trabalho é fundamental. Rodrigo é o primeiro, à direita (Foto: Arquivo pessoal)

     

    Berimbau não é shamisen*

    Modo de vida diferente, tropeços garantidos. A mão de direção japonesa é invertida. Na primeira vez que dirigiu, Rodrigo pegou a contramão. Baita susto.
    O uso de expressões locais exige atenção. O san é usado como indicativo de título, mas não pode ser usado pela pessoa ao se apresentar. Quando perguntado sobre seu nome, ele respondeu erradamente “Rodrigosan”. A atendente abaixou-se atrás do balcão para rir. Logo retomou a posição e explicou a ele, com educação, sobre o erro.

    * Shamisen - instrumento musical popular no Japão

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    Fernando Quintella

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