Sábado, 28 Março 2026 12:48

    Roraima: disputa fragmentada ao Senado e polarização ao governo

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    Roraima entra no ciclo eleitoral com um cenário aberto e, ao mesmo tempo, previsível. A disputa pelo governo do Estado deve se concentrar em poucos nomes. Já a corrida ao Senado caminha para pulverização, com até dez candidatos no radar.

    No governo, a tendência é de polarização. De um lado, Edílson Damião (União Brasil), que assumiu o comando do estado na sexta-feira (27) e passa a ter a vitrine da máquina pública. De outro, Arthur Henrique (PL), que deixa a Prefeitura de Boa Vista no dia 31 para entrar de vez na campanha.

    A terceira via é ocupada pela professora Antônia Pedrosa (PT). Ligada a movimentos sociais, ela deve reunir a maior parte dos partidos de esquerda e tentar consolidar um campo que historicamente tem dificuldade de competitividade no Estado.

    O desenho, no entanto, ainda pode mudar. Nos bastidores, cresce a possibilidade de Arthur Henrique ser deslocado para a disputa ao Senado, atendendo a interesses da direção nacional do PL. Se isso se confirmar, Damião pode ficar sem um adversário competitivo à direita.

    É nesse ponto que o tabuleiro se complica. O PL vive um dilema interno. Além de Arthur, o partido abriga o deputado federal Hélio Lopes, o Hélio Negão, nome diretamente ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e o deputado Antônio Carlos Nicoletti, conhecido por ensaiar candidaturas e recuar na reta decisiva.

    A definição precisa ocorrer até o fim do mês. A legenda tenta evitar divisão interna e, ao mesmo tempo, maximizar suas chances numa disputa majoritária de turno único, em que erros de cálculo costumam ser fatais.

    Na corrida ao Senado, o cenário é ainda mais imprevisível. O senador Chico Rodrigues (PSB) busca a reeleição. Conta com trânsito em setores da esquerda, por integrar o partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, e deve repetir a estratégia do “segundo voto”, usada com sucesso no passado.

    Outro nome que aparece com força é o do governador Antônio Denarium (Progressistas).

    Apontado como favorito em avaliações informais, ele depende, porém, do desfecho de um processo no Tribunal Superior Eleitoral que pode torná-lo inelegível.

    A ex-prefeita Teresa Surita (MDB) decidiu ficar fora da disputa ao governo. Alegou falta de estrutura para enfrentar a máquina estadual. Sua ausência reorganiza o campo político e abre espaço para novas composições.

    No MDB, a deputada federal Helena Lima se movimenta na direção do PDT. Bem avaliada em setores do transporte, do esporte e em parte do agronegócio, ela é vista como um ativo político em negociação.

    Correndo por fora, Hélio Negão aposta no capital político de Bolsonaro. É tratado como nome da cota pessoal do ex-presidente, que busca formar uma bancada fiel no Senado.

    Outro pré-candidato é o médico Mauro Asato, ainda sem legenda. Nos últimos meses, percorreu o estado com forte presença nas redes sociais, tentando viabilizar uma candidatura competitiva fora dos grupos tradicionais.

    Também está no jogo o deputado federal Duda Ramos (Podemos).

    Empresário, confia no poder de persuasão e na capilaridade construída no andato. Nos bastidores, porém, há dúvidas sobre sua permanência até o fim.

    Com tantos nomes, a disputa ao Senado tende a ser decidida em margens estreitas. Em eleição de turno único, não está descartado o surgimento de um azarão — alguém que, com votação não muito expressiva, consiga capitalizar a fragmentação e chegar à vitória.

    Lido 120 vezes Última modificação em Sábado, 28 Março 2026 13:04
    Rui Figueiredo

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