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Quinta, 22 Janeiro 2026 02:08

Banca de revistas vira ponto turístico

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Banca de revistas vira ponto turístico Fotos Aroldo Pinheiro

ESTABELECIMENTO COMEMORA 65 ANOS DE EXISTÊNCIA, ADMINISTRADO PELO SEU ÚNICO DONO

BRASÍLIA - Hoje, com 88 anos, Lourivaldo Marques veio para o Distrito Federal no fim da década de 1950 com o sonho de dias melhores. E conseguiu.
A Nova Capital ainda se preparava para a sua inauguração quando Lourivaldo, baiano de Irecê, vendia laranjas e bugigangas pelo barro vermelho dos canteiros de obras. Com a inauguração de Brasília, ele teve a ideia de erguer, em terreno da SQS 308, um barraco onde venderia, também, jornais e revistas. Mais tarde, com interferência de um correspondente do jornal O Globo, conseguiu autorização para erguer, em definitivo, em alvenaria, sua banca de revistas na SQS 108.

Ali perto, está a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, primeiro templo católico construído em alvenaria no que viria a ser Brasília. Projetada, também, por Oscar Niemeyer, inaugurada em 1958, a Igrejinha é um dos pontos turísticos mais visitados do Distrito Federal.

Enquanto a indústria de noticiosos impressos sucumbe, Lourivaldo resiste. “A venda de jornais e revistas está no fim. A internet chegou com força. Revistas como a Veja e a Istoé eram aguardadas com ansiedade. A gente vendia até 50 exemplares do Correio Braziliense num único dia. Hoje, recebo seis exemplares do maior jornal de Brasília e devolvo um ou dois. Para sobreviver, tive que me reinventar”, conta o pioneiro.

Na banca da 108 Sul, pode-se comprar balas, chocolates, sorvetes, água de coco. Do meio gráfico, Lourivaldo passou a investir pesado em revistas de passatempo e palavras cruzadas e, hoje, ele é o maior revendedor de Coquetel e Recreativa do Brasil central. Aficionados agradecem. “Tem gente que vem aqui só pelas palavras cruzadas. Alguns compram de cinco, dez exemplares só para mandar para amigos de outros estados”, relata o comerciante.

Árvore Mística – Em 1963, para proteger-se do sol da manhã, Lourivaldo plantou duas pequenas mudas de fícus italiano a poucos metros da banca. As árvores cresceram, as copas se juntaram e, atualmente, as raízes suspensas se espalham por 20 metros quadrados, oferecendo um túnel de 1,5m de largura que termina na lateral da banca.  

O túnel deu oportunidade a que a união dos vegetais fosse batizada de Árvore dos Desejos e difundir-se a crença de que “ao passar por ali, com pensamento forte, seus desejos se realizam”. Lourivaldo se diverte com a crendice. E agradece: “Muita gente vem aqui para conhecer e fazer foto dos fícus e sempre compra alguma coisinha de nós”, comenta sorrindo.

Lourivaldo mora em Valparaiso de Goiás (GO), cerca de 35km de Brasília - meia hora de carro.. Faça chuva, faça sol, ele vem abrir sua banca diariamente. Perguntado se já recebeu proposta para vender a banca, ele diz que não, “Vou morrer com ela”, encerra.

O túnel da "Árvore dos Desejos": entrada, saída e, no fundo, a Banca da 108 Sul           Os ficus italianos em primeiro plano, a Banca da 108 Sul logo depois, e o Bloco A da SQS 108 ao fundo

 

Lido 71 vezes Última modificação em Quinta, 22 Janeiro 2026 02:42
Aroldo Pinheiro

Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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