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Um boi pra não entrar numa briga e uma boiada pra não sair

Aroldo Pinheiro

Advogada resolve combater desmandos e abusos da Roraima Energia

Na foto de chamada, o sorriso de Ana Lucíola Franco não é de satisfação. É de nervosismo e ironia. Ela se sente deveras in­comodada com os desmandos da Roraima Energia.

Advogada, recentemente apo­sentada pela Advocacia Geral da União, Ana Lucíola se diz in­quieta e frisa que não usaria a aposentadoria para vestir pija­mas, calçar chinelos e ficar em casa tomando conta de planti­nhas. “Principalmente quando farejo ilegalidades e sinto que posso fazer algo para melhorar a vida do povo de minha terra”, enfatiza ela.

“Faz tempo que minha conta de luz vem aumentando sem explicação. Aumentando mui­to. Sou privilegiada, tenho um bom rendimento mensal, mas, como os valores de contas de luz sempre vêm mais altos, com referência a meses ante­riores, fiquei sem condições de pagá-las em dia. Com duas contas vencidas, a mais recente com 28 dias de atraso, recebi, desconfortavelmente surpre­endida, funcionários da Rorai­ma Energia que vinham efetuar o corte de fornecimento”, inicia ela.

Ana Lucíola conta que, revol­tada, entrou em suas redes so­ciais e registrou sua indignação. “Mais tarde, ao me conectar à internet, encontrei centenas de comentários a meus posts e, neles, reclamações sobre a dis­tribuidora”, continua.

Com tanta gente insatisfeita pelos mesmos motivos, a advo­gada pressentiu que o Estado vive um grande problema e que ela teria que fazer algo para, se não pudesse resolver, pelo menos entender o que está se passando.

“Na empresa, muitas explica­ções para os aumentos, até mesmo, informalmente, soube que a Roraima Energia perde­ra prazo para se beneficiar de isenção de impostos na compra de combustíveis, prejuízo que é lançado no lombo do consumi­dor”, explica.

“Ao consultar colega tributarista, descobri que a Roraima Energia vem cobrando erradamente o Imposto de Circulação de Merca­dorias e Serviços (ICMS), que re­passa para o Estado. Quer dizer: venho pagando, indevidamente, pelo menos, 10% a mais em mi­nhas contas de luz. Baseado em leis, qualquer um que esteja em situação parecida pode entrar com ação contra a distribuidora e o Governo do Estado e receber que lhe é de direito” sentencia.

Atirei no que vi; acertei no que não vi

“Para mim, é impossível conse­guir, sozinha, redução no valor das tarifas aplicadas pela distri­buidora, mas, por outro lado, posso entrar com ação judicial e receber o que me foi cobrado indevidamente nos últimos cin­co anos”, consola-se.

A batalha só começou. De­terminada, a aposentada diz que, para os próximos dias, tem audiências marcadas com a deputada Betânia Almeida – presidente da CPI da Energia, conduzida pela Assembleia Le­gislativa de Roraima, com pro­motores do Ministério Público, com servidores da Secretaria Estadual de Fazenda e com par­lamentares municipais estadu­ais, com a OAB.

Nesses últimos dias, os vídeos postados em redes sociais por Ana Lucíola Franco têm vira­lizado e incentivado cidadãos a se mexerem procurando di­reitos e tomando providências para receber o que lhes foi e é cobrado indevidamente.

Ainda não se sabe o tamanho do rombo que milhares de ações causarão aos cofres do Estado. Estima-se que, se todos os que têm direitos acionarem a Justiça, facilmente chega-se a R$ 100 milhões.

Nessa altura do campeonato, tem neguinho querendo pagar para que Ana Lucíola cancele a aposentadoria e volte a dar ex­pediente na Advocacia Geral da União.

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Aroldo Pinheiro
Aroldo Pinheiro é jornalista. Diretor Geral, Gerente Comercial e Editor-chefe do Jornal Roraima Agora. MTB 397/RR.
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