
Embora tenha dificuldade em admitir a realidade, fiquei supersticioso há algumas décadas. Talvez tenha sido assim durante toda a vida, mas os sinais ficaram mais evidentes de uns anos para cá.
A última superstição refere-se às Copas do Mundo de futebol. Jogadores adoram mandingas como entrar em campo com o pé direito, usar cueca da sorte todo jogo, acender velas e rezar ao santo de devoção no dia da partida e por aí vai. No meu caso, tem a ver com viagens.
Em 2022, Daysy e eu decidimos assistir ao jogo do Brasil contra a Croácia em badalado restaurante brasiliense. Por acaso, nosso amigo Paulo Bragato estava em Brasília naquele dia. A confiança do trio na vitória era imensa. Como todos sabemos, a desclassificação veio na disputa dos pênaltis, depois de empates no tempo normal e na prorrogação. Saímos de farol baixo. Nem a comida deliciosa caiu bem. Ficou o travo amargo da derrota.
A Copa deste ano da graça de 2026 seria diferente. Pelo menos, esperávamos por melhor sorte, agora com a seleção sob o comando do vitorioso treinador italiano Carlo Anceloti.
Eu devia ter sentido logo o cheiro de queimado, quando marquei nossa viagem ao Japão para o período da Copa. O retorno se daria exatamente no dia da final. Minha preocupação passou a ser como veria o Brasil ser campeão novamente.
Nem precisei ter tanto trabalho. No trecho aéreo entre Istambul, na Turquia, a Tóquio assisti à derrota sem direito à narração do Luiz Carlos Júnior em português. O canal americano disponível no voo amplificava o desastre em campo. Perda de pênalti, gol feito desperdiçado no ataque e bobeada na defesa. Nem mesmo a chance de termos “emoção até o fim” nos foi dada.
Como bom supersticioso, já decidi: em 2030, vou assistir à Copa em casa. Quem sabe volta a dar certo?



