InícioPorandubasFilme triste

Filme triste

Magro, elegante, bom papo, Waltinho, homem bem casado, fazia sucesso entre as mulheres. Seus um metro e oitenta centímetros de altura e a fama de pé-de-valsa encantavam as balzaquianas da pequena cidade.

Formado em Edificações pela Escola Técnica do Amazonas, Waltinho não teve dificuldade para arranjar emprego no governo do recém criado território federal.

Capacidade e seriedade levaram-no à direção da Divisão de Obras, sustentáculo das muitas construções em andamento pela capital. Um jipe Willys foi-lhe confiado para deslocamentos pessoais e oficiais.

Dedicado ao serviço, fazer horas extras tornou-se comum na vida do amazonense. A esposa acostumara-se com as saídas noturnas de Waltinho depois de simples comunicados: “Vou à D.O.”.

Cadeiras  postadas à frente das casas nos fins de tarde davam conta de que Waltinho andava comendo juriti em poleiro alheio. E não demorou muito para que os mexericos chegassem às oiças de Rosinha, esposa da autoridade.

Numa terça-feira, depois de jantar, Waltinho dirigiu-se ao jipe e, entrando no carro, comunicou à patroa: “Vou à D.O.”

Rosinha chamou um sobrinho e, da garupa da bicicleta, saiu orientando os caminhos que o bicicletista deveria seguir.

De repente, lá pros lados da igreja de São Francisco, o jipe da D.O. denunciava a presença de Waltinho numa casa suspeita. Do lado de dentro da cerca, na varanda da casa, deitada na rede, Deolinda, conhecida como Deó, fazia cafuné na cabeça do diretor da D.O.

De rádio distante, as vozes do Trio Ternura entoavam a canção  “Filme triste”, sucesso da época.

Aroldo Pinheiro
Aroldo Pinheiro
Aroldo Pinheiro é jornalista. Diretor Geral, Gerente Comercial e Editor-chefe do Jornal Roraima Agora. MTB 397/RR.
ARTIGOS RELACIONADOS
- Advertisment -
Google search engine

MAIS RECENTES

- Advertisment -
Google search engine