O caso aconteceu já lá se vai algum tempo. O casal de meia idade decide ir ao cinema assistir a filme bem recomendado por amigos. O título parecia interessante. Pelos comentários deles, várias históricas de amor ocorriam do começo ao fim. Tudo muito romântico.
Logo na entrada estranharam a grande maioria de jovens na plateia. Analisaram positivamente. Afinal, a garotada entendia a importância do amor nas nossas vidas. Havia, sim, luz no fim do túnel.
As primeiras cenas pareceram, aos nossos amigos, ousadas. Sinal dos tempos. Talvez por isso a juventude tenha prestigiado o espetáculo. Aquela apimentada na relação ajuda a quebrar a monotonia.
Com 15 minutos de filme, o casal entendeu o drama: trata-se de filme pornô, dos mais pesados, segundo a avaliação da dupla. A partir daí, começou a conversa/discussão entre eles se saíam ou ficavam na sala. O volume era baixo, mas a intensidade mostrava desconforto da mulher.
Ele defendia a permanência no local. Avaliava possível vaia da garotada quando saíssem. Ela, horrorizada com as acrobacias passadas na tela, estava irredutível: iriam embora, com ou sem vaias. Ato contínuo, levantou-se da poltrona, sem dar chances ao parceiro de questionar a atitude.
Como desgraça pouca é bobagem, o casal estava sentado bem no meio da fileira e bem na frente. A caminhada em direção à saída recebeu vaias e comentários debochados, como ele previra.
– Os tios não aguentaram a pressão! Tem motel aqui perto, gritou garoto com cara de safado.
Já do lado de fora, ela criticou a falta de atenção do parceiro em aceitar a indicação do filme sem conferir o roteiro. Confiara nos amigos e deu nisso aí. Ele lembrou a opinião entusiasmada da esposa do amigo sobre o filme: “Imperdível”.
Como terminou a história? Quem me contou o caso parou na saída do cinema. Deixou implícito ter notado certo ar de cumplicidade do casal quando, sem constrangimento, comentou o caso com ele…



