Há uma diferença entre largar na frente e chegar na frente. Teresa Surita conhece essa diferença como poucos.
Em Boa Vista, ela é praticamente imbatível. Cinco vezes prefeita, com administrações reconhecidas e elevados índices de aprovação, construiu uma das marcas eleitorais mais fortes de Roraima. Para a Prefeitura, ganha de braçada.
Para o Senado, porém, a conversa é outra.
Teresa já viveu o roteiro do “já ganhou”. Em 2022, parecia insuperável nas primeiras pesquisas e terminou derrotada por Antônio Denarium. A máquina pública pesou, houve uma sucessão de episódios que marcaram aquela campanha e, no fim, a vitória não veio.
Agora, em 2026, a história começa novamente com Teresa na dianteira.
Mas há um detalhe: ela parece entrar em campo mais preocupada do que seus números sugerem.
Rompeu com Arthur Henrique, seu antigo pupilo e sucessor na Prefeitura, depois de ensaiar apoiá-lo ao Governo. Migrou para o palanque de Soldado Sampaio. Tudo parecia resolvido.
Até aparecer Romero Jucá.
Jucá já foi um dos políticos mais influentes da história de Roraima. Durante décadas, foi protagonista em Brasília e um poderoso cabo eleitoral. Hoje, entretanto, seu nome carrega um grau de rejeição que passou a preocupar aliados.
E essa é a ironia da política: o cabo eleitoral de ontem pode virar o peso eleitoral de amanhã.
Teresa sabe disso. O MDB nacional sabe disso. E, aparentemente, o próprio Jucá também.
Sua desistência da candidatura a deputado federal tem, portanto, um significado que vai além de uma simples retirada eleitoral.
A política é implacável com seus personagens.
Quem ontem era indispensável pode amanhã ser indesejável.
Teresa enfrenta agora Helena Lima, Antônio Nicoletti e Chico Rodrigues. São duas vagas e vários candidatos com estrutura, palanque e capacidade de mobilização.
Por isso, não há lugar para salto alto.
Teresa pode estar na frente. Pode continuar favorita. Mas não pode confundir liderança com vitória.
Como ensina o velho ditado, não se conta com o ovo antes de a galinha botar.
E eu acrescentaria: na política, quem dispara na largada precisa ter fôlego para a reta final.
Teresa já aprendeu essa lição.
Agora, terá de provar que aprendeu.



