InícioCrônica do AroldoO problema estava na cabeça

O problema estava na cabeça

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Anunciaram-me uma pessoa que desejava reclamar. Tudo normal até aí, a regra era essa. Já o motivo era algo bem diferente: o sujeito queria reclamar de uma loja de motos que, segundo ele, o teria ofendido. Como? Ele foi comprar um capacete, mas disseram que não tinham do tamanho da sua cabeça, sendo recomendado que fizesse um sob encomenda.

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Qualquer pessoa no meu lugar ficaria curioso para ver a pessoa, especificamente sua cabeça. Ao vê-lo, fiz uma análise minuciosa e confesso que senti uma mistura de surpresa e decepção. Sua cabeça era do tamanho da minha! Aliás, sua altura e peso eram bastante similares aos meus. Indaguei-me sobre o que estava acontecendo. Somente ouvindo o reclamante para saber os reais motivos…

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Disse-me que tinha comprado uma moto há uns meses, que foi-lhe entregue com um capacete usado. Numa blitz policial entenderam que o talcapacete tinha defeitos e o apreenderam. Ao comprar um novo, os modelos que encontrava ficavam apertados. Na maior loja da cidade, todos osmodelos que experimentou lhe incomodaram. O gerente sugeriu que ele comprasse um por encomenda na fábrica e, daí, ele se ofendeu e veio fazer a reclamação.

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Como eu já tive moto, senti algo mal-explicado no contexto. Telefonei para a loja e o gerente esclareceu o fato. O capacete que ele usava era danificado, não tinha a espuma protetora interna, apenas a “casca”. Ficava mais folgado que um novo, mas não cumpria a função de segurança, tanto que foi apreendido. Mas o consumidor, irritado, não se deixou ouvir.

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Ali comigo ele estava receptivo. Consegui explicar que, no início, um capacete novo dá impressão de apertar a cabeça. Isto justamente por nos proteger. Com o tempo, o equipamento se ajusta ao nosso perfil, da mesma que nos acostumamos ao acessório. Uma questão de insistir. Senti que ele acreditou no que eu disse e retornou àquela mesma loja para negociar. Minutos depois, o gerente me telefonou, dizendo que ele foi lá e comprou um capacete.

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Meses depois, saio de um supermercado e, na rua, indo para o meu carro, uma moto se aproxima. O piloto dá uma acelerada e para. Usava capacete.Achei que fosse um pistoleiro ou assaltante. Ele tira o capacete e coloca novamente na cabeça, várias vezes, e se faz recordar. Disse-me: “Sou aquele cabeção! O senhor tinha razão, era apenas questão de acostumar. Agora uso na cabeça e nem sinto nada.” E partiu. Eu nem me lembrava do caso, então recordei. Segui sorrindo, com a grata sensação do dever cumprido, ainda que distante do convencional!

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iAnunciaram-me uma pessoa que desejava reclamar. Tudo normal até aí, a regra era essa. Já o motivo era algo bem diferente: o sujeito queria reclamar de uma loja de motos que, segundo ele, o teria ofendido. Como? Ele foi comprar um capacete, mas disseram que não tinham do tamanho da sua cabeça, sendo recomendado que fizesse um sob encomenda.

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Qualquer pessoa no meu lugar ficaria curioso para ver a pessoa, especificamente sua cabeça. Ao vê-lo, fiz uma análise minuciosa e confesso que senti uma mistura de surpresa e decepção. Sua cabeça era do tamanho da minha! Aliás, sua altura e peso eram bastante similares aos meus. Indaguei-me sobre o que estava acontecendo. Somente ouvindo o reclamante para saber os reais motivos…

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Disse-me que tinha comprado uma moto há uns meses, que foi-lhe entregue com um capacete usado. Numa blitz policial entenderam que o talcapacete tinha defeitos e o apreenderam. Ao comprar um novo, os modelos que encontrava ficavam apertados. Na maior loja da cidade, todos osmodelos que experimentou lhe incomodaram. O gerente sugeriu que ele comprasse um por encomenda na fábrica e, daí, ele se ofendeu e veio fazer a reclamação.

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Como eu já tive moto, senti algo mal-explicado no contexto. Telefonei para a loja e o gerente esclareceu o fato. O capacete que ele usava era danificado, não tinha a espuma protetora interna, apenas a “casca”. Ficava mais folgado que um novo, mas não cumpria a função de segurança, tanto que foi apreendido. Mas o consumidor, irritado, não se deixou ouvir.

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Ali comigo ele estava receptivo. Consegui explicar que, no início, um capacete novo dá impressão de apertar a cabeça. Isto justamente por nos proteger. Com o tempo, o equipamento se ajusta ao nosso perfil, da mesma que nos acostumamos ao acessório. Uma questão de insistir. Senti que ele acreditou no que eu disse e retornou àquela mesma loja para negociar. Minutos depois, o gerente me telefonou, dizendo que ele foi lá e comprou um capacete.

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Meses depois, saio de um supermercado e, na rua, indo para o meu carro, uma moto se aproxima. O piloto dá uma acelerada e para. Usava capacete.Achei que fosse um pistoleiro ou assaltante. Ele tira o capacete e coloca novamente na cabeça, várias vezes, e se faz recordar. Disse-me: “Sou aquele cabeção! O senhor tinha razão, era apenas questão de acostumar. Agora uso na cabeça e nem sinto nada.” E partiu. Eu nem me lembrava do caso, então recordei. Segui sorrindo, com a grata sensação do dever cumprido, ainda que distante do convencional!

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Aroldo Pinheiro
Aroldo Pinheiro
Aroldo Pinheiro é jornalista. Diretor Geral, Gerente Comercial e Editor-chefe do Jornal Roraima Agora. MTB 397/RR.
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