n.
nFim de tarde, mamãe bota fina saia rodada de tafetá marrom, blusa de linho branco com folhos e babados, bolsa e sapatos de saltos altos pretos, grandes e elegantes óculos escuros e, pelo canteiro central da avenida Getúlio Vargas, se dirige à avenida Jaime Brasil, onde meu pai tinha uma loja.
n.
nDepois de cruzar a rua Coronel Pinto, ela vê, dois quarteirões adiante, na altura do muro da escola Lobo D’Almada (onde hoje está estabelecida a TV Roraima), Gil, caminhando em sentido contrário. “Ai, meu Deus!” E, rapidamente, dona Neuza dirige-se à calçada do lado oposto da via.
n.
nAgora, apressando os passos, rezando, pedindo proteção a Nossa Senhora de Fátima, sem olhar para os lados, tudo que ela queria era passar longe do doidinho. Tentando vencer a última quadra até seu destino, quando chega na frente do prédio do IBGE, ela sente uma mão tocando seu ombro e ouve a voz rouca de Gil dizer, quase no cangote dela: “Tu nem fala, né, sua boçal?”
n.
nMamãe diz não se recordar do que fez logo depois do cumprimento de Gil. Lembra-se de estar sentada, com dona Bety Barros, que tinha lanchonete vizinha à loja de meu pai, abanando-a e lhe dando água com açúcar.n]]>
O doido e a madame
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