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Temporizador cruel

Fernando Quintella

O caso aconteceu em Paris. Anos antes, as filhas do casal fizeram viagem à Europa como mochileiras. Adoraram o passeio. Recomendaram aos pais o hotelzinho simples, mas bem localizado, onde ficaram na capital francesa.

Dica aceita, eles ficaram preocupados, logo na chegada, com a existência de banheiro coletivo, aceitável para mochileiros, mas longe de atender às expectativas do casal. Se o cenário parecia desconfortável, ficou desesperador quando descobriram o temporizador no banheiro. Cada pessoa tinha míseros três minutos de uso antes de a luz apagar.

Ao contar a história, eles discordavam sobre como reativar a luz. O marido insistia na necessidade de o hóspede sair do banheiro e acionar dispositivo externo, além de o papel higiênico ser uma folha tipo bandeirinha de festa junina. “Você entrava e o tal temporizador começava a funcionar, como cronômetro em contagem regressiva para explodir tudo aquilo: tlec, tlec, tlec”, lembra ele. A esposa dizia que bastava fazer movimento e o sensor reativava a energia. Ambas as soluções parecem terríveis.

Experimente cronometrar três minutos para todas as necessidades no banheiro logo ao acordar. Nem tente fazer a barba. Banho, só de um minuto, pois o outro minuto estará reservado a tirar e vestir a roupa. O minuto restante fica para lavar o rosto, escovar os dentes. Você pode trocar tudo isso pelo uso do vaso sanitário.

Imagine-se no vaso e a luz apaga. Impossível sair para reativar a energia. Movimentar-se na hora crítica seria complicado. Você sacudiria os braços como Ivete Sangalo a cantar “Poeira, Poeira”…

O sistema pode funcionar na França, mas na Bahia, terra de vatapás, acarajés e que tais, qualquer mortal precisaria de, no mínimo, uma hora até estar em condições de sair sem avarias. No claro ou no escuro.

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