
Por ironia, enquanto milhões de reais são gastos e desencaminhados com os Jogos Olímpicos, jovens roraimenses se humilham para tentar defender o País no exterior
Ultimamente, todos os fins de tarde, motoristas que param no semáforo da esquina das avenidas Major Williams e Capitão Júlio Bezerra dividem a atenção entre malabares, vendedores de CDs evangélicos, distribuidores de panfletos comerciais e uns jovens, vestidos com quimonos, que tentam vender squeezies [pequenas garrafas para água].
Poucos são os que se dispõem a desembolsar R$ 10 por uma dessas garrafinhas que, de uma por uma, alimentam o sonho de 11 atletas que pretendem ir à Indonésia para defender as bandeiras de Roraima e do Brasil no XII Campeonato Mundial de Karatê Shotokan.
Filiados à Liga Roraimense de Karatê, esses atletas, que já conquistaram medalhas na Costa Rica, Alemanha, Austrália, Grécia, deixam de receber apoio de governantes que, com visão curta, não veem neles a real possibilidade de divulgar o Estado, o País.
Adauto Andrade, presidente da Liga, lastima que as coisas sejam assim. Otimista, ele acha que seus atletas conseguirão, com venda de squeezies e outras atividades, arrecadar os R$ 150 mil reais necessários para que a equipe se apresente no distante arquipélago.
Esperançoso, Adauto diz: “Nós já temos R$ 50 mil. Com ajuda de Deus e do povo de Roraima, vamos conseguir juntar todo o dinheiro até o dia 14 de agosto”.
Boa sorte, Adauto. Quem sabe nesse meio termo algum desses nossos dirigentes volta os olhos para vocês.




