Sexta, 28 Abril 2017 19:20

    Boa Vista guarda corpo de craque de futebol

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    Boa Vista guarda corpo de craque de futebol Fluminense Futebol Clube - Manipulação: Aroldo Pinheiro

    Zagueiro da Seleção Brasileira de 1938 e do Fluminense Futebol Clube entre as décadas de 1930 e 1940 morreu na capital e está enterrado no Cemitério N. S. da Conceição (Por Fernando Quintella)

    Ele poderia ter sido campeão mundial de futebol bem antes do desastre de 1950, no Maracanã, quando o Brasil perdeu a final da Copa do Mundo para o Uruguai. Jogou com os melhores do seu tempo. Conhecido como “Pé de Ferro”, encantava torcedores. Ganhou cinco títulos cariocas pelo Fluminense em sete anos de clube. Infelizmente, o carioca Arthur Machado nasceu na época errada, quando o futebol era quase amador e os jogadores recebiam salários baixos.

    Ao pendurar chuteiras, em 1945, comprou um carro e foi trabalhar como taxista. Já no final da vida, veio para Boa Vista, onde morou com o filho homônimo até morrer, em 1997, aos 88 anos de idade. Nunca superou o Maracanazo, porém reconhecia a qualidade do time uruguaio. Nem mesmo com as conquistas das Copas de 1958, 1962, 1970 e 1994. Deixou o exemplo de atleta duro, mas leal.

    FLA X FLU  1938 - o árbitro Tijolo, entre o zagueiro Machado, o “Pé de ferro”, e Domingos da Guia, “O Divino”  (Foto: Jornal dos Sports)

    Contra a vontade do pai

    Nascido no Rio de Janeiro, em 1909, Machado jogava bola como diversão. Zagueiro firme, talentoso, como se veria mais tarde. Seu pai, o português Barnabé Machado, mudou-se para São Paulo quando ele era pequeno. Lá, montou pequena loja de serviços hidráulicos, onde o garoto ajudava. Quando a Portuguesa de Desportos descobriu o jovem, o pai foi contra a proposta do clube. Se ele faltava ao serviço para treinar, Barnabé descontava o dia não trabalhado. Ao tornar-se craque, o pai baixou a guarda e tornou-se seu maior fã. Em 1934, Machado assinou contrato com o Palestra Itália (atual Palmeiras), mas ficou apenas seis meses no time paulistano. Saiu para o Fluminense, onde passaria a melhor fase de sua vida esportiva. Foi campeão carioca em 1936/1937/1938/1940 e 1941, este último no famoso jogo “bolas na Lagoa”, contra o Flamengo, na Gávea. Com a partida empatada em 2 a 2, resultado que dava o título ao Flu, os tricolores chutavam as duas bolas existentes na Lagoa Rodrigo de Freitas. Com isso, esperava-se a volta das redondas, recolhidas da água por remadores do Fla. Com essa estratégia, o Fluminense ganhou o campeonato.

    CAMPEÃO CARIOCA DE 1937 - alguns jogadores do Fluminense Futebol Clube integravam a Seleção Brasileira (www.bing.com/images)

    Craque da Seleção

    Seu melhor momento foi em 1938, quando integrou a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo na França. Depois de 15 dias de viagem no navio Arianza, alguns jogadores haviam engordado. Romeu ganhou nove quilos! O Brasil ia bem até a semifinal, contra a Itália. Sem o craque Leônidas da Silva, artilheiro daquela Copa, o time perdeu por 2 a 1. Depois, contra a Suécia, fez 4 a 2 e garantiu o terceiro lugar.

     

     

    SELEÇÂO BRASILEIRA DE FUTEBOL, 1938 - O zagueiro Machado (marcado de amarelo) era titular na sua posição (Foto: Arquivo Nacional Fundo Correio da Manhã) 

    Em 1942, Machado voltou para São Paulo, onde encerrou a carreira, em 1945, no Juventus, depois de quebrar a perna. Com as economias do futebol, comprou casa simples no Jardim Paulistano e transformou o carro em táxi para sustentar a família. Como chofer de praça, teve clientela fiel. “Papai era homem sério; as pessoas gostavam de tê-lo como motorista”, conta Arthur Filho. “O pai da cantora Maísa saía para as boates e, de madrugada, embriagado, telefonava para meu velho. Papai ia buscá-lo, ajudava-o a trocar a roupa e ir para a cama. Era relação de amizade”, relembra. 

    RARA FOTO de jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1938, na França; Machado em destaque amarelo (Foto: Jornal dos Sports)

    Três anos depois de o craque parar de jogar, um empresário montou time com ex-jogadores para divulgar seu produto. Machado exigiu a presença do filho em todas as partidas. “Só ali consegui viver o mundo do futebol com ele. Quando ele jogava no profissional, eu era muito pequeno - tinha sete anos -”, lembra Arthur Filho. “Convivi com craques como Hércules, Tim: ídolos do meu Fluminense. Eles contavam histórias divertidas, recordavam partidas, como se ainda atuassem. Viajei com ele para Recife, Salvador, todo o interior de São Paulo: experiência inesquecível”, diz.

    FILHO DE PÉ-DE-FERRO, Arthur Machado Filho trouxe o craque para viver seus últimos dias em Roraima (Foto: Fernando Quintella)

    Pai do vice-prefeito de Boa Vista, Arthur Machado Filho veio para Roraima no final da década de 1970. Contador e advogado, especialista em auditoria, trabalhou em vários órgãos até se aposentar pela União. Na década de 1980, trouxe o pai para Boa Vista, onde o craque passou os seus últimos anos de vida.

    APOTEÓTICA recepção à Seleção Brasileira de Futebol, que classificou-se em terceiro lugar na Copa de 1938, na França (Foto: Arquivo Nacional Fundo Correio da Manhã)

    Bons velhos tempos

    Quem imaginaria, nos dias atuais, a seleção brasileira de futebol voltar da Copa do Mundo com o terceiro lugar conquistado e encontrar o povo nas ruas, cortejo nas principais avenidas, euforia total por estar entre as três melhores do Planeta? Inimaginável, não é mesmo?
    Pois esse cenário aconteceu no Rio de Janeiro, em 1938, quando o nosso escrete – como se falava na época – retornou da França, depois de campanha com três vitórias, um empate e uma derrota, na semifinal, para a campeã Itália.
    O povo recebeu os jogadores como heróis, em reconhecimento às dificuldades enfrentadas desde o embarque, no porto da então capital federal, até o apito final da disputa pelo terceiro lugar.
    A foto mostra os cariocas, na Avenida Rio Branco, em torno do ônibus do Corpo de Bombeiros, responsável pelo transporte dos atletas. Bons velhos tempos.

    SELEÇÃO DE 1938 - Copa do Mundo na França - Jogadores e comissão técnica em frente do navio que os levou à Europa e os trouxe consagrados em terceiro lugar (Foto: Arquivo Nacional Fundo Correio da Manhã  

    Lido 2245 vezes Última modificação em Quinta, 04 Mai 2017 04:33
    Redação

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