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Sexta, 20 Novembro 2020 20:17

Respeita o juiz, Rivaldo

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           Uma historinha com Rivaldo Neves, o peladeiro

           Janeiro de 1981. Recém chegado ao então Território Federal de Roraima, fui convidado pelo Manuelzinho para jogar bola no sábado. A tradicional pelada do Lago dos Americanos reunia turma da melhor qualidade. Antes mesmo de chegarmos, fui avisado: “O pessoal adora fazer brincadeiras, tirar sarro...”

            Escalados os times da primeira partida, faltava árbitro. O empresário da construção civil Rivaldo Neves aproximou-se de mim e perguntou: “Você quer apitar?” Manuelzinho sinalizou para eu recusar. Mesmo assim, aceitei o convite. Afinal, o ambiente estava tão amistoso...

            Foi a bola rolar e começar a encrenca. Eu apitava e era bronca de todos os lados. Eles criavam confusão até nos lances mais evidentes. Marquei pênalti contra o time do Rivaldo e o ambiente esquentou de vez. Decisão mantida, cobrança feita, bola dentro: 1 a 0.

            Quando apitei o fim do primeiro tempo, apontei para o meio de campo. Rivaldo ironizou:

            - Olha só. O cara, além de apitar mal, ainda parece com o Armandinho.

            Ele se referia ao ex-árbitro de futebol Armando Marques, conhecido por seus trejeitos e gestos exagerados.

            Ainda sem saber como aquelas pessoas tão simpáticas transformavam-se dentro do campo, lá vem o Rivaldo de novo. Agora, com novo discurso.

            - Eu quero pedir desculpas - disse ele. - Eu fiquei exaltado, coisa de jogo. O senhor não me leve a mal...

            Todos caíram na gargalhada. O motivo? Tinham Inventado que eu era o novo juiz de direito da cidade. Ele havia mexido com a pessoa errada. Poderia ter problemas com a Justiça no futuro. Preocupado, Rivaldo tratou de consertar possível estrago.

            Ficamos amigos a partir desse episódio. Ao nos encontrarmos, falávamos sobre a nossa paixão comum, o Flamengo. Infelizmente, neste 19 de novembro, Rivaldo, pessoa do bem, foi para o andar de cima. Deixou-nos muito cedo, vítima de Acidente Vascular Cerebral. Fica o seu exemplo de excelente caráter e simpatia. Fará falta, muita falta. Vai com Deus, amigo.

           

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Fernando Quintella

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