Terça, 30 Junho 2020 04:45

    Num vai ter anarriê?

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    Num vai ter anarriê? Jornal O Painel

    Com a capital do Estado em quarentena há 100 dias, fala-se em cancelar o Boa Vista Junino. Ou adiá-lo.

    E lá se vão 100 dias com bares, restaurantes, casas de diversão e boa parte do comércio fechado, num esforço para combater o coronavirus ou, pelo menos, diminuir os efeitos de sua chegada e acomodação em solo macuxi.

    Mistérios sobre a forma de propagação da Covid 19, seus efeitos, além de medicamentos, protocolos de tratamento para arrefecer malefícios e diminuir a letalidade dessa doença que vem da China para promover desentendimentos entre a comunidade científica. Na dúvida, governantes insistem que a melhor maneira de evitar o coronavírus é sentar a bunda em casa; cidadãos, por bom senso ou por medo, acatam a determinação.

    O coronavírus mexe com hábitos e costumes em todo o mundo.

    Com a capital do Estado em quarentena há 100 dias, fala-se em cancelar o Boa Vista Junino. Ou adiá-lo. Enquanto governantes e médicos discutem a pandemia, cerca de 1500 boa-vistenses questinonam se a Prefeitura de Boa Vista, por meio da FETEC - Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura de Roraima, vai realizar a vigésima edição do Boa Vista Junino - maior arraial da Região Norte - ainda neste ano.

    A comunidade quadrilheira leva muito a sério a maior manifestação folclórica do Estado. Com a mesma dedicação dos componentes das escolas de samba do Rio de Janeiro, centenas de quadrilheiros de Roraima levam os 12 meses do ano se dedicando à escolha de tema, composições e arranjos de músicas, ensaios de coreografias, para, enfim, brilhar e arrancar aplausos da população que se reúne na arena plantada na Praça Velia Coutinho, parte do Centro Poliesportivo Ayrton Senna, na avenida Ene Garcez, no centro de Boa Vista.

    A prefeitura investe alto no evento, mas o retorno econômico é compensador. Chiquinho Santos, um dos entusiastas das quadrilhas juninas, diz que “ao investir dois milões de reais nessa festa popular, a FETEC vê a a circulação de mais de R$ 15 milhões, entre as atividades dos dançarinos, bandas, o trabalho silencioso de costureiras e artesãos, transportes e faturamento de ambulantes.

    Chiquinho explica: “Faturam as lojas de tecidos, de armarinhos, de tintas, de artesanatos... Uma costurreira que recebe a empreitada para fazer 50 vestidos tem que contratar ajudantes e, naturalmente, vai comprar pão, queijo, refrigerante para a equipe se alimentar. Isso tudo é geração de renda”.

    Prossegue: “Os quadrilheiros precisam de transporte para levá-los até o palco: é mais dinheiro circulando”.

    “Uma coisa que pouca gente sabe é que o mercado musical, direitos autorais rende muita grana. As quadrilhas de Roraima estão tão famosas, que a gente recebe pedidos de utilização de músicas compostas por nossos artistas para quadrilhas de todo o Brasil. É dinheiro circulando fora do Boa Vista Junino”, enfatiza Chiquinho Santos.

    Vai ter ou não vai ter?
    Procurado para falar sobre o assunto, o presidente da FETEC, muito importante, não retornou nossas ligações. No Facebook, a prefeita Teresa Surita afirma, com todas as letras, que a cidade vai receber a 20a edição do Boa Vista Junino. Ao público, resta esperar o comportamento do coronavírus o fim da pandemia.

    Lido 169 vezes Última modificação em Terça, 30 Junho 2020 04:54
    Aroldo Pinheiro

    Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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