Quinta, 09 Julho 2020 05:55

    Município de Boa Vista comemora 130 anos

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    Primeira foto aérea de Boa Vista, feita em 1924, e foto feita hoje, por satélite, mostram o tanto que a cidade cresceu  Primeira foto aérea de Boa Vista, feita em 1924, e foto feita hoje, por satélite, mostram o tanto que a cidade cresceu Esquerda: equipe de Hamilton Rice; direita: Google Maps

    Ao completar 130 anos, Boa Vista não tem muito o que comemorar

    Com pouquíssimas almas aventureiras ao longo do rio Branco, praticamentre esquecida pelo Império, a povoação de Nossa Senhora do Carmo foi desmebrada do município de Moura, pouco depois da proclamação da República. Por sua localização e vastos campos, o governador do Amazonas, Augusto Ximenes de Villeroy, decidiu criar o município de Boa Vista, cuja economia baseava-se quase exclusivamente na criação de gado para abastecer o estado.

    Seu primeiro movimento migratório deu-se no final do século 19, com a chegada de nordestinos que, fugindo das secas, partiam cheios de sonhos em busca de terras que o governo ofertava como incentivo.

    A descoberta de ouro e diamantes no norte do município atraiu muita gente, aumentando sensivelmente a população que se aglutinava em torno da Igreja de Nossa Senhora do Carmo e da sede da fazenda Boa Vista, de Inácio Lopes de Magalhães.

    No dia 13 de setembro de 1943, decreto assinado pelo presidente Getúlio Vargas elevava o município à categoria de Território Federal, tendo a cidade de Boa Vista como sua capital. O fato político-administrativo trouxe investimentos para a nova unidade da Federação e atraiu bom número de aventureiros.

    Em 1962, Projeto de Lei proposto pelo deputado federal Valério Caldas de Magalhães modificou o nome de Rio Branco para Território Federal de Roraima, visando contornar confusões de nomes com a capital do Acre.
    No fim da década de 1960, novo movimento migratório, dessa vez, provocado pela chegada do 6o Batalhão de Engenharia de Construção, que vinha com objetivo de construir estradas.

    Energia elétrica, água encanada, colégios de segundo grau e criação da Universidade Federal de Roraima, também atraíram novos moradores numa época em que o Brasil incentivava grandes movimentos migratórios.
    Na década de 1980, uma corrida ao ouro de aluvião trouxe milhares de pessoas que sonhavam extrair imensas riquezas da terra.

    A Constituição de 1988 elevou Roraima à categoria de Estado. Com essa mesma constituição proibindo garimpagem manual, no início da década de 1990, milhares de homens foram retirados dos grotões e pistas clandestinas de pouso foram destruídas.

    Sem condições financeiras para irem embora do Estado, muitos aventureiros se estabeleceram na periferia da cidade, causando desequilíbrio social, que, com o tempo foi absorvido pelo próprio progresso de Roraima.
    Após a proibição de garimpo, dá-se início à plantação de grãos e a modernização na criação de animais. Roraima descobre, então, sua vocação para o agronegócio.

    Com população beirando os 500 mil habitantes, Boa Vista não tem muito o que comemorar

    Em 1999, Hugo Chávez elegeu-se presidente da Venezuela e, com seu governo socialista, deu-se início à derrocada econômica de seu país.

    Com a morte de Chávez, Nicolás Maduro assumiu o comando do país e, numa forma destrambelhada de governar, conduziu a Venezuela à sua maior crise de todos os tempos.

    Milhões de venzezuelanos resolveram deixar o país, fugindo do desemprego da fome e da violência.

    Pela proximidade, dezenas de milhares desses venezuelanos escolheram Boa Vista para se estabelecer e, por aqui, vivem em bolsões de pobreza, alguns com a sorte de serem servidos pela Operação Acolhida, conduzida pelo Exército Brasileiro.

    Não existem números exatos, pois boa parte dos venezuelanos que aqui aportaram não constam de registros oficiais.

    A crise econômica no Brasil, provocada pela pandemia do coronavírus, aliada ao inchaço populacional de Boa Vista, provocado pela migração de venezuelanos, deixa-nos a certeza de que o município de Boa Vista não tem muito o que comemorar pela passagem de seu centésimo trigésimo aniversário.

    Lido 324 vezes Última modificação em Quinta, 09 Julho 2020 11:36
    Aroldo Pinheiro

    Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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