Domingo, 15 Abril 2018 17:32

    Marcas de Roraima no Oriente Médio

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    Marcas de Roraima no Oriente Médio Fotos: arquivo pessoal

    Roraimado, Elson Ney serviu no Oriente Médio, na segunda metade do século passado

    Em 1957, quando o mundo ainda sentia os efeitos da 2ª Guerra Mundial, terminada em 1945, palestinos e israelenses entranhavam-se no Oriente Médio. A ONU (Organização das Nações Unidas) decidiu mediar o impasse, com apoio de tropas de países amigos, inclusive o Brasil. Foram 10 anos de trabalhos na região, ao fim dos quais a intolerância venceu o bom senso. “Entre os soldados brasileiros integrantes da tropa estava Elson Ney Alves Rodrigues, manauara, mas roraimense de coração, paraquedista. Durante um ano e meio...”

    Aos 73 anos, dois filhos e quatro netos, Elson avalia o período entre os Capacetes Azuis como experiência de vida incrível, embora difícil. Na opinião dele, a ONU falhou como órgão mediador. “Foi criada para promover a paz, mas só vemos guerras por todos os lados”, sentenciou.

    Fotógrafo profissional desde a juventude, Elson perdeu os milhares de slides – mídia avançada à época – ao se mudar de casa. Ficaram as lembranças.

    Luiz Manoel Rodrigues, fotógrafo, veio para o então Território Federal do Rio Branco em 1945. No mesmo barco estava o governador, Capitão Ene Garcez, nomeado em 1943, mas empossado dois anos depois. No barco, Garcez contratou Rodrigues como fotógrafo da Guarda Territorial, para trabalhar no futuro serviço de identificação. Elson estava com dois anos.

    Quando o pai se aposentou, no fim dos anos 1950, a família foi para o Rio de Janeiro. Lá, aos 17 anos, Elson alistou-se no Exército. Concluiu curso de paraquedismo e de piloto privado. Ao abrir vaga para a tropa de Suez, ele voluntariou-se. Selecionado, embarcou para o Oriente Médio, na área de conflito. “A oportunidade pareceu excelente, como foi mesmo”, conta. “Além da experiência de vida adquirida, tive chances de conhecer outros países, como a Síria, a Jordânia, Egito e até a cidade histórica de Jerusalém”.


    No deserto 

    Os brasileiros ficaram baseados na linha de fronteira, no Forte Robinson. A Faixa de Exclusão consistia em 500 metros de largura, entre os limites dos países conflitantes, desmilitarizada e sob responsabilidade das tropas da ONU. Ali, Elson viveu poucos momentos de tensão. “Era mais ataque de guerrilha. Os palestinos invadiam o lado israelense, onde eram mortos pelos inimigos”, comenta.

    “Grande perigo corria mesmo no deserto, onde estavam minas terrestres não detonadas e sem qualquer indício de localização “Era a área mais crítica”, relembra.
    “Certa vez, invadiram nosso quartel e roubaram armas que, logo depois, recuperamos no lado palestino”.

    Além de conhecer as pirâmides, no Egito, Elson Ney encontrou algumas vezes o futuro líder palestino Yasser Arafat, em tendas onde falava ao seu povo. Em 1993, quando o então presidente americano Bill Cinton promoveu o encontro de Arafat com o primeiro ministro israelense Yitzhak Rabin, que gerou o Acordo de Paz de Oslo, Elson enviou carta ao Secretário Geral da ONU, em que sugeriu o nome do líder para receber o Prêmio Nobel da Paz. Tal ocorreu em 1994, mas sem qualquer vínculo com a proposta. “Nem me responderam”, diz ele.

    Na visita feita à pirâmide de Quéops, Elson viu mensagem atribuída ao faraó, cujo teor inspira-o até hoje: “Nenhum historiador, poeta ou filósofo passará aos meus pés sem render homenagem”.

    Solenidade militar no Rio de Janeiro 

    Com o fim da missão no exterior, Elson Ney deu baixa do Exército. Ele foi condecorado pela ONU e pela UNICEF pelo período de serviço entre os Capacetes Azuis. Logo depois, retornou a Boa Vista, onde foi funcionário público, jornalista, fotógrafo, enfim, multitarefas.

     

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    Aroldo Pinheiro

    Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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