Quinta, 28 Fevereiro 2019 05:15

    Lampião tinha fogo no rabo

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    Lampião tinha fogo no rabo Divulgação

    Escritor cria polêmica ao afirmar que o cangaceiro era gay

    Não é de hoje que militantes GLBT tentam trazer mortos famosos para engrossar suas linhas e mostrar que homossexualismo é mais comum do que se imagina.

    Sabe-se que, na Grécia antiga, a prática de sexo entre pessoas do mesmo gênero era comum. E até incentivada. Reis e imperadores romanos também eram chegados a orgias em que atividades

    homossexuais faziam parte do cardápio. Há quem afirme que Hitler era homossexual e que os tresloucados atos contra a humanidade refletiam sua revolta com o fato comportamental.

    Recentemente, a possibilidade de que Simon Bolívar não tenha sido tão espada quanto seus admiradores gostariam deixa loucos os bolivarianos. No Brasil, movimentos gays insistem que

    Zumbi dos Palmares mexia com outros paus além daqueles que os quilombolas usavam para se defender.

    Nessa onda de futricar a sexualidade de mortos, surgem fofocas - e afirmações ditas comprovadas - de que capitão Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, o Rei do Cangaço, tinha hábito de queimar a rosca entre um e outro saque e maldades praticados em fazendas ou lugarejos visitados por seu bando.

    Como base de sustentação a quem defende a controvérsia, usa-se o hábito – esse confirmado – que o cangaceiro tinha de bordar e fazer trabalhos manuais que, naquele tempo, eram atividades ditas femininas. Claro que mexer com agulhas e linhas para criar arte não confere a ninguém

    o diploma de viadagem.

    Biografia polêmica

    O livro “Lampião, O Mata Sete”, lançado em 2011, teve sua venda proibida pela Justiça, atendendo a ação movida por Vera Ferreira, pretensa neta do cangaceiro.

    Na obra, o escritor Pedro de Morais afirma que o malfeitor mais famoso do Nordeste era gay e que sua companheira, Maria Bonita, enfeitava a cabeça de Virgulino com diadema de vaca: chifre.

    No final de 2014, por decisão da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Sergipe, o livro foi

    liberado para distribuição e comercialização. “Não é demais repetir que, se a autora da ação sentiu-se ‘ofendida’ com o conteúdo do livro, pode-se valer dos meios legais cabíveis. Porém, querer impedir o direito de livre expressão do autor da obra, no caso concreto, caracterizaria

    patente medida de censura, vedada por nossa Constituinte.

    Cabe, sim, impor indenizações compatíveis com ofensa decorrente de uma divulgação ofensiva”, afirmou o desembargador Cezário Siqueira Neto, em entrevista concedida, defendendo a liberdade de expressão.

    Jornal de ontem

    Em outras publicações, como numa tese do fundador do Grupo Gay da Bahia, historiador Luiz Mott, a homossexualidade de Lampião já tinha sido abordada. Pedro Morais afirma que na universidade Sorbonne (França) há tese citando o lado feminino de Virgulino: “Todo mundo

    aqui no Nordeste sabe que ele era um exímio estilista e gostava de plumas, paetês e perfumes franceses”, justifica-se Pedro de Morais.

    Wilson Oliva, advogado de Vera, contesta: “Intimidade não é história. O livro agride por demais, afirmando que Lampião era gay, que Maria Bonita era adúltera e até que Expedita Ferreira Nunes não é filha dos dois. Isso causou transtornos a toda a família, aos netos, aos bisnetos na escola”.

    Enquanto isso, o autor procura editora que, com ele, invista em 10 mil exemplares para uma segunda edição de “Lampião, o Mata Sete”. Na primeira, só mil livros foram impressos. Com as questões judiciais, a obra ganhou notoriedade e, claro, possível impulso comercial.

    Rebordosa

    A renomada cordelista Dalinha Catunda contra ataca quem quer mexer com a homência de Lampião. Para seus leitores, o Roraima Agora traz algumas estrofes de “Quem nasceu para Lampião jamais será lamparina”, da cearense de Ipueiras:

    Amigo vou lhe dizer

    Preste bastante atenção

    Cada um tem seu gosto

    E toma sua decisão

    Há coisa que não aceito

    Mexer no cu do sujeito

    Que está debaixo do chão

      Eu não tenho preconceito

      E nem sou ruim da bola

      Tô contestando um boato

      Que não entra na cachola

      Por tudo que ouvi falar

      Não posso acreditar

    Que Lampião foi boiola.

    (...) E nem venham me dizer

    Que MARIA era infiel

    E que o Rei do Cangaço

    Andou queimando o anel

    Isso é pura fantasia

    Pra não dizer heresia

    De mente suja e cruel

       Com ela teve uma filha

       Batizada de Expedita

       Que não viveu no cangaço

       Pra não provar desdita

       Lampião deixou herdeira

       Fez filho na companheira

       Não fugiu da periquita

    (...) Lampião foi cabra macho

    Famoso FORA da lei

    Agora querem dizer

    Que Virgulino era gay

    Ele pintava e bordava

    Mas a rosca não queimava

    Pelas histórias que sei

       Foi líder dos cangaceiros

       E valente pra chuchu

       Agora depois de morto

       Querem difamar seu cu

       Ele não virou baitola

       E só entrava na rola

       Quando comia nambu

    (...) Se Lampião fosse vivo

    O falador penaria

    E no pipocar das balas

    A dançar aprenderia

    Pra deixar de esculacho

    E respeitar cu de macho

    Que o anel não queimaria

       (...) Essa história é sem sentido

       Ninguém acredita nela

       Pois bunda de bandoleiro

       Não foi porta nem tramela

       Era saída e mais nada

       Não consta que foi entrada

       Não azeitou a arruela

     Eu posso estar enganada

    Mas acho que essa lambança

    Foi criada por alguém

    Com desejo de vingança

    Lampião não foi veado

    Foi apenas difamado

    Botaram seu cu na dança

       Este cordel chega ao fim

       Chega ao fim minha defesa

       Vou bater o martelo

       A verdade está na mesa

       Minha tese não afunda

       Nunca fez barra na bunda

       Quem foi rei da malvadeza.

     Matéria publicada em 9 de março de 2015 no jornal Roraima Agora

     

     

    Lido 328 vezes Última modificação em Quinta, 28 Fevereiro 2019 05:29
    Aroldo Pinheiro

    Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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