Domingo, 23 Julho 2017 04:16

    Índio não morre nas primeiras cenas

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    Índio não morre nas primeiras cenas Fotos: DIVULGAÇÃO

    Europeus se juntam a indígenas macuxis e produzem filme numa espécie de grito para o mundo

    Daniel Schweizer é o diretor de “Amazonian Cosmos”, nome provisório do filme de 90 minutos que está sendo produzido sobre a vida nativa na Amazônia de hoje e como o mundo externo à floresta é visto por lideranças indígenas.

    O cineasta e sua equipe estiveram em Boa Vista para produzir a primeira etapa da peça, que tem sequência na Europa e nos Estados Unidos.

    Schweizer produziu dois documentários que buscam, no cinema, ampliar, ao redor do mundo, a voz própria de vários líderes comunitários, suas causas ambientais e humanitárias.

     

    “Trading Paradise” e “Gold War”, de Schweizer, são filmes densos e, em “Amazonian Cosmos”, reforçam--se denúncias contra várias formas abusivas, buscando mostrar visões dos indígenas sobre a globalização, numa espécie de antropologia devolvida.

    Em Roraima, onde foram feitos os primeiros registros para a obra, encontra-se um dos focos principais do filme documentário: natureza virgem e populações nativas atingidas por projetos catastróficos, como mineração, são argumentos centrais no contexto.

    Davi Kopenawa Yanomami, ícone na luta pela preservação da floresta e retirada integral de fazendas e garimpo da Amazônia, tem recebido ameaças de morte e esse fato será posto em pauta na mensagem do filme.

     

    Suruís

    De Roraima para Genebra, na Suíça, dando continuidade às tomadas, viajam o líder Dário Yawariona, filho de Davi, e Angelita Yanomami, sua esposa. O artista Jaider Esbell, de etnia makuxi, integra a equipe de filmagem com a função específica de narrar e ilustrar o argumento dentro da linha de trabalho que desenvolve: arte com ativismo.

    O Filme abrange também o povo Suruí, do estado de Rondônia. Almir Suruí é liderança de destaque e leva ao mundo o exemplo de seu povo que, uma vez em contato com o grande mundo – em 1960 –, viu na tecnologia de ponta a melhor forma de vigiar seus territórios.

    Os Suruís são conhecidos como um povo high-tech, em referência ao serviço de monitoramento por satélite que usam com total desenvoltura. Com lançamento previsto para 2018, o filme, ora produzido, é financia do por fundos para a cultura na Suíça e deve firmar parceria com produtoras no Brasil para auxiliar na ampla campanha levada aos brasileiros.

    Amazonian Cosmos é um nome provisório, mas o tema central é mesmo denunciar os absurdos que ocorrem especifi camente na Amazônia. Nesse perspectiva, o diretor busca mostrar ao mundo a realidade local tal como ela é.

    O Filme não é sensacionalista tampouco ficção. Tratando a realidade como tal, partindo do fato de que, no Brasil, vozes de peso político, como a fala de Davi Kopenawa, e da arte ativismo, como o trabalho de Jaider Esbell, têm pouco ressonância ainda.

    Iniciado e finalizado na Amazônia, a equipe e a comitiva buscam percorrer locais estratégicos nos Estados Unidos e Europa para participar nos mais importantes fóruns e contatar líderes políticos e religiosos, já que tais questões são de interesse global. Nações Unidas, Google e as maiores refinarias de ouro são alguns dos locais visitados nessa campanha. 

    Encontro com líderes espirituais como o Papa Francisco e Dalai Lama estão agendados.

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    Aroldo Pinheiro

    Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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