Terça, 28 Julho 2020 03:21

    Gente

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    Nasce gente, morre gente, vem gente, vai gente... Gente escreve, gente lê, gente come, gente fala, gente grita, gente até silencia... Gente se lembra que é gente, gente de quaresma, gente de quarentena... Gente rica, gente pobre, gente humilde, gente boba, gente trabalhadora, gente preguiçosa, gente sã, gente doente... Gente como a gente.

    Toda essa gente escondida da gente, com medo das outras gentes! (Até esquecemos até que somos gente)

    Cada gente... Uma voz, uma vida, uma história...Somos da primeira pessoa, da segunda pessoa, da terceira pessoa... (De infinitas pessoas!)

    Tantas vozes construindo um só canto! Vozes que reverberam essa enxurrada de gente que de tão cega só sente o calor da estrela. Gente que não contempla o amanhecer!

    Gente passiva, gente ativa, gente de ontem, gente de hoje, gente de qualquer tempo - com tanto tempo a perder, que nem sabem que dia é hoje.

    São tantas gentes que me perco nessa multidão de gente: gente preta, branca, gente parda, amarela, feia, bonita...gente bruta, gente mansa, gente doce, gente insossa, gente de todo tipo que pensa que nem gente é!

    Essa gente toda é como metal sonante no meio dessa cidade, dessa turba que mais parece um vício de se aglomerar e se esconder. Fomos seviciados durante muito tempo como “gentinha”, como escória dessa sociedade que se diz tradicional!

    De nossas errâncias, dos caminhos sem volta, das camas vazias, de todas nossas ausências, dessas visualidades contemporâneas que todos nós temos compulsoriamente de nada saber - pensando que sabemos de tudo.

    Somos obrigados a consumir no nosso dia-a-dia esse mísero pão, a água suja dessa vala rasa de nossas tantas vidas já sem sentido pelos cantos das casas vazias, pelas sarjetas das ruas escuras e desertas, dos nossos medos, dos medos que nem são nossos, mas que, de tanto temê-los, já são tão nossos quanto íntimos.

    Na finitude de nossas vidas é que damos conta de quanto são diferentes nossas semelhanças com nosso próximo. Nos tornamos gente lisérgicas! Nos tornamos invisíveis a nós mesmos. Muita gente nos faz mal sem querer; outras nos maltratam por necessidade. Essa necessidade de sermos gente do bem. Mas que bem?

    Somos apenas gente! E é isso que importa.

     

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    Literatura psicodélica - Hudson Romério

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