Sexta, 14 Agosto 2020 13:08

    Dione, o homem que faz sabão

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    Servidor público, para reforçar orçamento, o maranhense se vira fabricando artesanalmente produtos de limpeza

    Há quem passe o tempo reclamando da vida. Há quem use a lei do menor esforço e se entregue ao roubo, ao tráfico de drogas e outros ilícitos para sobreviver. Há aqueles que fazem de tudo para melhorar seu dia a dia dentro da legalidade, transmitindo valores para seus filhos. Nesse último grupo, emblemática é a vida de Dione Marcos Ferreira Rodrigues.

    Maranhense que, aos 17 anos, decidiu sair de casa, em busca de um futuro melhor, pois sentiu que, ali, na pequena Presidente Dutra, teria uma vida tão ou mais miserável quanto a de muitos de seus conterrâneos. Dione abandonou a escola, onde cursava a 8a. série, e partiu para Itaituba, no Pará, em busca do que ele não perdeu: ouro. Depois de algum tempo trabalhando duro, no meio de pessoas que não dão o mínimo valor à vida, Dione resolveu vir para Roraima, onde seu pai já se estabelecera.

     Ainda no Pará, Dione engatara namoro com Heloíde, cuja mãe morava nas Terras de Macunaima. O casal decidiu mudar-se para Boa Vista, com promessa de viverem juntos. Deu certo. A união rendeu, até agora, quatro filhos: Mateus, 12 anos; Luiz Marcos, 10; Marcos Johnatas, 6; e Maria Heloísa, 4. Entre os nascimentos de um e outro filho, o casal sempre trabalhou fora.

    Hoje, ambos têm emprego mais ou menos seguro: Dione é servidor comissionado na Secretaria de Administração do Estado e Heloíde trabalha na cozinha de conceituado restaurante.

    Engordando o orçamento

    Irrequieto, Dione viu a necessidade de fazer algo para aumentar a renda doméstica. “Em casa tem muita gente. Além dos meus filhos, a gente toma conta do meu sogro, doente, e de uma cunhada que precisa de cuidados especiais”, declara.

    Inspirado na mãe, que fabricava sabão com óleo de babaçu lá no Maranhão, Dione começou a tentar fórmulas, a partir da internet, com óleo comestível usado. “Demorou um pouco até eu chegar na produto ideal”, comenta. Produto aprovado, o maranhense caiu em campo oferecendo amostras gratuitas de sabão em barra e sabão líquido em feiras e a colegas de trabalho.

    Com a boa aceitação do produto, Dione tem, hoje, clientela cativa. Semanalmente, ele produz e ven­de 60 barras e 60 litros de sabão. “Não rende muito dinheiro, mas dá pra ajudar nas despesas de  casa”, explica. E, alarmado, acres­centa: “Nós pagamos R$ 180 de luz, R$ 400 de água e consumimos cinco fardos [15kg cada] de arroz por mês... A gente faz mágica”, diz resignado.

    Novo produto

    Além dos saponáceos, Dione ago­ra arrisca na fabricação e venda de belos vasos para plantas que bem imitam pedaços de troncos de acariquara. “Vi os primeiros num boteco lá perto de casa. Ouvi a mulher ensinando uma outra como fazer aquilo usando trapos e cimento. Experimentei. Deu cer­to”, conta.

    Hoje, utIlizando a mesma técnica aplicada para divulgar o sabão, Dione dá vasos de presente, sa­bendo que, da doação, surgirão encomendas. Dá certo: o Roraima Agora encomendou dois. Quer falar com Dione? Ligue para 99117-4443.

     Dione mostra um exemplar de sua nova arte (Foto: Aroldo Pinheiro)

     

     

     

    Lido 213 vezes Última modificação em Segunda, 17 Agosto 2020 12:21
    Aroldo Pinheiro

    Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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