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Quarta, 08 Dezembro 2021 03:00

Cozinha moderna

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Há três anos rendi-me aos apelos sempre fortes da publicidade sobre fritadeira moderna, cuja grande vantagem era eliminar gorduras da fritura. Tudo muito mais saudável. Também faz bolos, pães, tortas, só falta jogar no ataque e ser artilheira do time do coração.

Fiz tremenda festa com a chegada do produto em casa. Agora, sim, comeríamos aquela batatinha frita sem tanta culpa. Gordura zero, com o mesmo prazer daquele prato servido nos botecos da vida, na maioria das vezes empapado de óleo.

Passado tanto tempo, até hoje a bendita fritadeira permanece invicta. Todo mundo acha linda, moderna, um passo à frente na cozinha, mas as resistências são imensas. Fazem promessas de usá-la “em breve”, sem definir o conceito de breve. Como só entro nessa área em casos extremos, me conformo em olhar o produto desprezado.

Temos pessoas na família e grandes amigos satisfeitíssimas com o rendimento da fritadeira em suas casas. Portanto, o produto funciona e muito bem, se você entender como proceder. Caso contrário, pode virar pandemônio.

As filhas decidiram dar a mesma fritadeira de presente à mãe. Presentaço, na opinião delas. Explicaram como funcionava, falaram sobre as virtudes do produto, enfim, era só aproveitar a novidade.

No dia seguinte, a mãe decide estrear a fritadeira. Ajusta franguinho caprichado, segue as instruções do manual, liga o aparelho e vai cuidar da vida. De repente, aquele cheiro, para ela, estranho na casa. Ela entra em pânico, liga para a filha mais velha e toca horror:

- A casa está pegando fogo!!!! Vem correndo para cá!!!

As filhas todas se despencaram para o local da crise. Ao chegarem, perceberam a realidade. O frango cheirava forte, mas estava longe de provocar incêndio na casa.

O caso terminou com a devolução do presente. “Vou continuar a fritar do meu jeito! Levem isso daqui!”, esbravejava a mãe, enquanto filhas e genros, às gargalhadas, divertiam-se com a cena.

Aqui em casa continuo sem sequer ter sinal de incêndio...

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Fernando Quintella

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