Crônica do Moroni

    Uma crônica com espírito natalino

    Quando eu era criança, antes do Natal, os lixeiros deixavam um envelope nas casas e pediam uma gorjeta natalina. Logo após o dia 25, passavam recolhendo os envelopes.

    Aqui em Boa Vista não me lembro de ter visto esses envelopes.

    Meu filho pediu, de Natal, um presente padrão nestes tempos: um novo celular.

    Fiz contas e foi possível separar o valor para comprar.

    No dia 24, saquei dinheiro e dirigi-me à loja. Já estava fechada.

    Eu teria de comprar o celular após o Natal.

    Coloquei a grana no bolso para comprar o presente depois.

    No dia de Natal, acordei-me e vesti-me com a mesma calça. Ainda era manhã, bem cedo. Fui ajeitar os sacos de lixo amontoados no quintal e, de repente, escuto o caminhão de lixo passando. Corri lá com os sacos. Fiquei observando o caminhão de lixo se aproximar.

    Quatro garis pegavam os sacos e jogavam no veículo coletor. Naquele dia, devido às ceias, havia muito mais lixo. Naquela manhã, os lixeiros faziam algo diferente: batiam nas portas e pediam "caixinha". A tradicional contribuição de natal!

    Em algumas casas ninguém atendeu. Noutras, saía alguém, que balançava a cabeça lateralmente, indicando negar a gorjeta.

    De minha porta, pegaram os cerca de dez sacos de lixo que ali havia. Um dos lixeiros deles veio até mim e pediu a gorjeta, já meio que esperando um não.

    Os garis queriam fazer um almoço diferente em suas casas, no dia de Natal. Tanto que resolveram fazer a coleta bem cedo. O que eu faria?

    Pago a contribuição municipal para custear a coleta de lixo e outros tributos. Além do mais, não existe obrigação de pagar gorjeta. Trata-se de uma liberalidade. Uma das formas de exercermos nosso livre arbítrio. E quanto eu daria de gorjeta? Teria que decidir rápido.

    Com o lixeiro à minha frente, aguardando minha resposta, olhei minha calçada: limpinha... Há alguns minutos havia muitos sacos de lixo ali...

    Manhã de Natal bem cedo, lixeiros trabalhando... Pensei: "Meu filho já tem um celular... E funciona bem. Ele pode esperar mais um tempo por aparelho novo". Meti a mão no bolso e retirei o valor que estava lá para comprar o celular para meu filho - nem sei quanto
    exatamente -, peguei e entreguei ao lixeiro. Ele sorriu um sorriso de orelha a orelha, apertou minha mão e disse-me um sincero muito obrigado.

    Esperei para vê-lo entregando o valor a seus colegas. Um pouco distante, pude ver os sorrisos nas faces dos outros quatro garis. 

    Esse fato foi meu presente de Natal. Como fiquei feliz! Essa alegria em meu coração me servirá de impulso para conquistar muitas vezes a gorjeta dada em 2018. 

    O incompreendido
    Assim caminha a humanidade

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