Domingo, 07 Janeiro 2024 06:02

    Roraimense comemora 105 anos de vida

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    Roraimense comemora 105 anos de vida Fotos: arquivo pessoal

    Lúcida, bem humorada, esperançosa, ela curte a vida com a família

    Na terra em que a média de vida para mulheres é cerca de 80 anos, pode-se dizer que a roraimense Zuleide Matias de Souza já está cumprindo hora extra. Natural de Vila Pereira (Surumu), Zuleide, filha de Vicente Matias de Souza Filho e Izaura Barreto de Souza, comemorou seu 105º aniversário no dia 8.

    De família numerosa - 10 irmãos – Zuleide diz que sua infância, apesar de sofrida, foi rica de bons valores passados por seus pais: honestidade, respeito, amor, solidariedade, alegria. E muita música, pois seu pai era sanfoneiro.

    Ela casou-se quando tinha 16 anos de idade; da união com Severino Barroso Ramos, nasceram 10 herdeiros. A família morava em um sítio até que um desentendimento fez com que ela largasse o marido e, com o único objetivo de educar seus filhos, se mudasse para Surumu, então Vila Pereira, sua cidade natal. "Meus filhos tinham que aprender a escrever e ler pelo menos um bilhete e, lá, tem o colégio dos padres”, dizia. Na vila, com muita garra e coragem, para que não faltasse nada para seus rebentos, Zuleide trabalhou como lavadeira, costureira e, por fim, cozinheira na Missão São José.

    Observadora, ela fala sobre a boa vida que crianças e adolescentes levam hoje em dia. “No meu tempo, não tinha brinquedos, não sobrava tempo para brincadeiras e o relacionamento com os pais era muito diferente...”

    Apesar da vida sofrida, a centenária gosta de dançar. Conta que aprendeu os primeiros passos seguindo uma cozinheira da Missão e lamenta o fato de, hoje, pelo desgaste de ossos, não poder mais girar o corpo como fazia até pouco tempo atrás.

    Ao aproximar-se a época de o Exército convocar seus filhos para o serviço militar obrigatório, Zuleide mudou-se para a cidade de Boa Vista, onde morou no bairro São Pedro, na Praça da Bandeira, no bairro São Francisco e, por fim, no bairro Liberdade. Sempre trabalhando muito.

    Hoje, bastante lúcida, dona Zuleide ainda se preocupa com os filhos. Diz, por exemplo, que não pode morrer, pois Graça, sua filha caçula, de 70 anos, ainda não se casou e ela [a mãe] tem que encaminhá-la.

    Dona Zuleide gosta de festa, mas é controlada. Ana Zuleide, neta, conta que, para a festa de 100 anos, a avó recomendou: “Eu confio em você. Vou lhe dar meu cartão, mas quero que você faça fotos do meu extrato antes e depois do saque. E, por favor, retire só R$ 5 mil, pois eu tenho que pensar no meu futuro e não posso ficar gastando dinheiro com qualquer coisa não”.

    A centenária diz-se vitoriosa e feliz, pois seus filhos, seguindo suas orientações, vêm seguindo o lado bom em suas escolhas. Hoje, do alto de seus 105 anos, ela recebe homenagens de seus 10 filhos, noras, genros, dos 23 netos, 49 bisnetos, 13 trinetos e 3 tataranetos. Muitos parentes e amigos também fizeram questão de homenageá-la em seu 105º aniversário.

    Dona Zuleide, ao lado da filha caçula, Graça; na pare de trás, a neta, Ana Zuleide e os bisnetos Moizés e Izabel

     

    OBS. REPORTAGEM PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPORESSSA NÚMERO 214, DE 30 DE OUTUBRO DE 2023

    Lido 304 vezes Última modificação em Domingo, 07 Janeiro 2024 06:14
    Aroldo Pinheiro

    Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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