Eita caboco rodado!

29 Junho 2018
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Gravura: Sérgio Paulo - Fotos: arquivo pessoal

A saga do menino que completa 50 anos de Jornalismo

É muito tempo: 18.250 dias. Neste 25 de junho, o carioca Fernando Quintella comemora 50 anos dedicados ao que ele mais gosta de fazer: Jornalismo. O título da matéria faz jus ao personagem: o caboco é rodado.

Já em 1966, Fernando fez parte da equipe que criou “O Clarim”, jornal voltado para o alunado do Colégio Pedro II, unidade Engenho Novo, no Rio de Janeiro. Quintella já chegou arrombando a festa, pois ninguém menos do que Jerry Adriani, um dos ídolos da Jovem Guarda, foi seu entrevistado.

Grosso modo, pode-se dizer que Fernando foi amamentado por rotativas: seu pai era executivo de O Cruzeiro, revista mais lida no início da segunda metade do século passado, que bateu recordes de tiragem nos anos 1950.

Todas as publicações geradas pelos Diários Associados, no Rio de Janeiro, chegavam de graça à residência do pré-adolescente e, por elas, Fernando desenvolvia seu gosto pela notícia.

Fernando preferia as letras aos números. Vivia encrencado com a Matemática. Decidido a exercer profissão na área de humanas, fez o curso Clássico no Pedro II. Como o pai insistia em carreira técnica, em 1969, já com o direito a registro profissional, mudou a perspectiva e fez vestibular para Economia, quando foi aprovado em 12º lugar. Mas o Jornalismo continuava na pauta.

Em 1999, foi falar sobre jornalismo no curso de Comunicação Social da UFRR. Desafiado pelos alunos, prestou vestibular para graduados no mesmo ano. Formou-se em 2003, aos 53 anos. Fernando considera a experiência universitária um dos pontos importantes de sua carreira, agora sob a perspectiva acadêmica.

O CRUZEIRO - Fernando Quintella e outros filhos de funcionários em festa de Natal (1962)

Jornalista de fato

Em maio de 1968, anúncio no Jornal dos Sports oferecia oportunidade, no setor de Educação, para quem quisesse iniciar-se na vida de notícias. Quintella, 18 anos, e mais três dezenas de adolescentes aceitaram o desafio. “Na verdade, o jornal atravessava dificuldades financeiras e, como saída para a sobrevivência, resolveu obter mão de obra não especializada. Melhor: gratuita. “Em agosto, minha primeira reportagem fez sucesso. E causou  polêmica. ‘Reforma na escola’ criticava o atraso nas obras feitas no D Pedro II”, diz. Em 1970 passou para a redação esportiva, onde ficou até o ano seguinte.

De 1971 a 1972, assumiu posto no Gil - publicação de entretenimento, que fez muito sucesso entre os cariocas.

Depois disso, um tempo de frila e cargo como assessor de imprensa do Goiás Esporte Clube, no RJ.

Casado com Daysy, precisava manter a família. Formado em Economia, engajou na Marinha. Como tenente, serviu à Força Naval de 1974 a 1977. Temporadas entre Rio, Recife e Brasília. Sempre envolvido com Comunicação.

Durante os dois anos em Pernambuco, prestou serviço à Rádio e ao Jornal do Commércio. 

Entre 1978 e 1980, depois que deu baixa da Marinha, voltou à incerta vida de frila.

 MEDALHA DO MÉRITO FORTE SÃO JOAQUIM - Estrela (O Jornal), Quintella (A Gazeta de Roraima) e Perucci (Tribuna de Roraima)

Roraima à vista

Em 1981, por meio de amizades que fez no Ministério do Interior, veio trabalhar, como economista, na Secretaria de Planejamento do então Território de Roraima. Em três meses já estava na equipe de reportagem e Conselho Editor do Jornal Boa Vista - espécie de Diário Oficial não oficial dos feitos da administração Ottomar Pinto.

Em dezembro de 1981, com amigos, criou seu próprio jornal: A Gazeta – jornal mensal, depois semanal - que sobreviveu por 15 anos. Quintella orgulha-se de esse periódico ter ganhado, com a reportagem ”Bandeira Brasileira Hasteada na Fronteira”, de autoria da repórter Kátia Brasil, o Prêmio Esso Regional Norte de Jornalismo em 1991”.

O jornal passou a dar prejuízo. Quintella precisava viver e pagar suas contas. Em outubro de 1992, depois de aprovado em concurso, assumiu cargo na Justiça Federal. Em Dezembro de 1996, por problemas financeiros, A Gazeta de Roraima encerrou atividades.

Irrequieto, Fernando Quintella sempre exerceu a arte de fazer notícias, como consultor, como free lancer, como colaborador.

Ele e a esposa se aposentaram em 2009 e 2012, respectivamente. Para cuidar melhor da saúde, compraram imóvel em Miguel Pereira, cidade serrana do Rio de Janeiro, onde passam metade do ano, quando a temperatura em Roraima torna-se inadequada para eles.

PRÊMIO ESSO DE JORNALISMO, 1991 - Kátia Brasil, vencedora com ”Bandeira Brasileira Hasteada na Fronteira”,  publicada n’A Gazeta de Roraima

 

Picadura de abelha

Em Março de 2017, preocupado com a situação econômica e social de apicultores roraimenses, Fernando entrou em contato com o jornal Roraima Agora, propondo pauta. Convidado para escrever sobre o assunto, produziu série de três reportagens.

Encantado com a linha editorial do jornaleco (ou a falta de), tomou gosto e, hoje, semanalmente publica crônica e, eventualmente, produz matéria interessante para o tabloide.

ROTARY CLUB, outra paixão de Quintella. O jornalista se destaca em ações do clube criado em Chicago (USA)

 

COMO RADIALISTA - Quintella entrevista Reginaldo Rossi na FM-93.3 - Rádio Equatorial

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Aroldo Pinheiro

Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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