Caracaranã: beleza e tranquilidade estão logo ali

21 Setembro 2018
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Aroldo Pinheiro

A 180 quilômetros de Boa Vista, o lago Caracaranã tem tudo para ser importante polo turístico

Quem visita Roraima em busca de beleza natural não pode deixar de visitar o Lago Caracaranã, um dos maiores presentes de Mama Natura.

Praia de areia fina, água transparente, sombra de cajueiros - que, de dezembro a fevereiro, oferecem seus frutos a custo 0800 -, paisagem formada por serras que compõem o Planalto das Guianas e que proporcionam brisa agradável encantam quem visita o local. Bom mesmo é pernoitar.

Sombra e água fresca - areia fina, água transparente e a brisa que vem do Planalto das Guianas são um convite à paz (Foto: Pureviagem)

Para chegar a esse paraísso, o viajante tem que enfrentar 100 quilômetros de pista asfaltada e 70 de estrada pirraçada, que exige cuidados, pois carros rabeiam no segundo trecho, estando ele seco ou molhado.

O lago está em terras que, durante muitos anos, desde o século 19, pertenceram à família Correia. Com a política de demarcação de terras, descendentes dos pioneiros foram desalojados e deram lugar ao que hoje compõe a Terra Indígena Raposa-Serra do Sol.

Depois de alguns anos fechado à visitação pública, hoje não há impedimento, desde que o turista pague ingresso individual no valor de R$ 10 para passar o dia ou R$ 50 se quiser passar o fim de semana.

De Brasília, guiados por Friedman Melo, Cláudio Duarte, Gessélia Rodrigues e Laila Oliveira, se encantam com as belezas naturais do Caracaranã (Foto: Aroldo Pinheiro

Como a área é utilizada para encontros e solenidades de comunidades macuxis e uapixanas, antes de empreender viagem, o interessado deve entrar em contato com o Conselho Indígena de Roraima (CIR) para saber se há alguma restrição.

Na área não existe bar, restaurante, lanchonete ou venda de qualquer coisa; o visitante deve prevenir-se e levar tudo o que pretende consumir.

Os chalés que restam - e que em outros tempos ofereciam conforto - servem simplesmente de apoio ao turista. Camas não existem mais, simplesmente armadores rudimentares para pendurar redes.

Valério Eurico da Silva, 57 anos, em seu segundo mandato como coordenador da área, diz que os índios pretendem voltar a explorar o ponto turístico comercialmente. Informa que, no momento, estão construindo um refeitório e que “até o início do próximo ano”, devem oferecer melhores serviços para visitantes.

Nalgum dia do Século 19, a regiião do município hoje chamado Normandia começou a ser colonizada por nordestinos que fugiam das secas e saíam em busca de dias melhores no extremo norte do Brasil. Como herança, em 1876, a esposa de Cícero Correia recebeu a imensa área de terra em que está o formoso lago Caracaranã.

Com a morte de Cícero, seu filho, Joaquim Correia, assumiu a fazenda e, nela, viveu, até 2013, quando, sem dar valor a documentos lavrados em cartório, o Governo Federal desapropriou a área e incorporou-a à reserva indígena Raposa-Serra do Sol.

Nos anos 1960, o lago passou a ser conhecido e visitado por quem tivesse veículo em condições de enfrentar a estrada rudimentar. Depois de um dia ou mais de viagem, o visitante era recebido por Joaquim Correia, que oferecia pousada e o melhor de sua mesa a custo zero.

No início dos anos 1980, Luiz Otávio, filho mais velho de Joaquim Correia, fechou contrato com a Roraima Turismo, agência de viagens pertencente a Nelson Arinos e, depois de melhorias no local, inaugurou o Caracaranã Camping Clube, que passou a ser explorado comercialmente.

Área de acampamentos foi delimitada, alojamentos foram construídos e 15 chalés foram edificados a poucos metros do lago.

Na porteira de entrada, o aviso desanimador. Mas, como a fiscalização não é rígida, pode-se dar um jeitinho (Foto: Aroldo Pinheiro)

Do fim do século passado até o primeiro decênio do século 21, o Caracaranã foi palco de muitas festividades, transformando-se no maior polo turístico de então.

Diz-se que Roraima é a Terra do Já Teve. Confimando o dito popular, com a ocupação pelos indígenas, além do lago - que a natureza vem conservando -, tudo o que em seu entorno foi construído vem sendo consumido pelo descaso e pelo tempo.

O diretor do Departamento de Turismo do Governo do Estado de Roraima, Ricardo Peixoto, diz que há verbas e meios de explorar turismo em terras indígenas e trazer o Lago Caracaranã ao lugar de destaque ocupado outrora: só depende de ação das comunidades indígenas.

 

Descaso e desconforto

Dos 15 chalés construídos nos anos 1980 (primeira foto, abaixo) restam quatro (foto do meio, abaixo), em precárias condições. Nove quartos individuais (foto à direita, abaixotambém são oferecidos como apoio para quem quer pernoitar no Caracaranã.
Apesar de ter caixaria e instalação elétrica, nenhuma das unidades tem ar-condicionado. Nem cama. Cabe ao turista levar rede ou colconhete.

(Fotos: Aroldo Pinheiro)

 

 

Aroldo Pinheiro

Aroldo Pinheiro,  roraimense, comerciante, jornalista formado pela Universidade Federal de Roraima. Três livros publicados: "30 CONTOS DIVERSOS - Causos de nossa gente" (2003), "A MOSCA - Romance de vida e de morte" (2004) e "20 CONTOS INVERSOS E DOIS DEDOS DE PROSA - Causos de nossa gente".

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