Bruno Garmatz: novo livro na praça

07 Abril 2018
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Fernando Teixeira

De agricultor a escritor, ou como mudar a sua vida sem medo

Ele saiu de Ibirupá, pequena cidade no centro do Rio Grande do Sul, com o sonho de viver intensamente. Conseguiu. Depois de passagem por Curitiba, aportou em terras de Macunaima, em 1983, trazido pelo amigo de infância Eugênio Tomé, com o futuro apontado para a agricultura, área com tradição familiar. Lá pelas tantas, mudou o foco; iniciou curso de Antropologia, abandonado um ano depois por falta de afinidade. Transferiu a matrícula para Comunicação Social, formou-se em Jornalismo, tornou-se craque na fotografia, até encantar-se com a literatura.

 

Nova obra: lançamento

Depois de quatro livros esgotados, prepara-se para lançar, no dia 28 de abril, no CTG Nova Querência, o novo título – Remanescente das Sombras –, história de nazista refugiado em Roraima na década de 1950, com grande influência na sociedade local até os anos 2000. Bruno Garmatz é assim. Muda de perspectiva na ficção, sempre em busca de novidades, seja na terra, na imagem ou nas linhas de um livro.

O despertar para a fotografia e a literatura surgiu quase ao mesmo tempo. Servidor da Prefeitura de Boa Vista, em 2003, ele foi cobrir festa na Casa do Vovô. O fotógrafo escalado ficou doente. Bruno pegou a câmera e fez o serviço. Naquele momento descobriu ter prazer e vocação para a imagem. No mesmo evento, conheceu o Costaricense Guillermo Garbanzo, ex-árbitro de futebol famoso, à época morador no asilo. Encantou-se com a figura do estrangeiro. Na semana seguinte, lá estava ele em papo descontraído com o novo amigo. Foram meses de gravações e papos agradáveis. Ao final, seu primeiro trabalho literário: Conversando com Guillermo vendeu os mil exemplares impressos por Bruno.

Através de amigo comerciante, soube da procura por livros com fotos e informações sobre Roraima. Bruno viu a oportunidade. Decidiu preparar obra com imagens e textos sobre a tríplice fronteira Brasil/Guiana/Venezuela. Obra caprichada, capa dura, impressa em papel couché, esgotou em dois anos. A ideia foi transformar o Monte Roraima em ícone de sua obra. Subiu a famosa montanha, de onde trouxe imagens incríveis. O livro tinha textos em português, espanhol e inglês, a fim de atender o público estrangeiro.

Enquanto trabalhava textos e imagens, escreveu dois outros livros: O Homem de Barlovento, passado em Roraima, Venezuela e Goiás, e Escolhas Erradas, com o cenário do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, ambos romances, estilo adotado por ele a partir daí. Remanescente das Sombras mantém o mesmo viés, como obra de ficção.

Sobre projetos futuros, Bruno já tem na cabeça a ideia do próximo livro, ainda mantida em segredo. “Preciso de tranquilidade”, explica. “Ninguém cria com sucesso sob estresse”, complementa.  Perguntado se vive da literatura, ri. “Poucos vivem de suas obras literárias. Eu estou nessa turma, embora longe de me comparar a Paulo Coelho e outros escritores de sucesso. Dá para o básico”, garante.

 

 

           

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Fernando Quintella

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