Alerta: pólio na Venezuela

18 Junho 2018
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Rotary Club Boa Vista-Caçari

Após décadas sem registro de nenhum caso de paralisia infantil nas Américas, doença volta a preocupar

A notícia pegou todos de surpresa. Depois de 29 anos sem registrar qualquer caso de poliomielite no continente, uma criança indígena, de dois anos e dez meses, apresentou sintomas da doença, na comunidade Delta Amacuro, região nordeste da Venezuela. Imediatamente, a OPAS (Organização Pan-americana de Saúde) emitiu alerta a todos os países onde recomenda intensificar a vacinação contra a pólio.

O Brasil ainda deve ser considerado como modelo, pois o sistema de saúde está estruturado, existem profissionais capacitados e disponibilidade de vacina. Talvez exista multiplicidade de fatores para justificar a queda na cobertura. Um deles pode ser a inexistência da doença no país desde 1989, quando foi registrado o último caso,  na Paraíba. A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda o patamar de 95% de vacinação das crianças que tenham até seis anos de idade.

Há muito, algumas áreas apresentam baixo desempenho, com apenas 40% ou menos de presença das crianças nos postos de saúde nos dias de vacinação. O vírus selvagem continua presente em três países: Paquistão, Afeganistão e Nigéria. Embora com poucos casos atualmente, ainda representam perigo real.

 

Rotary Club Boa Vista-Caçari - Luta constante no combate à poliomielite (Foto: Rotary Club Boa Vista-Caçari)            

 

Entenda o processo

O médico brasileiro Marcelo Haick desenvolve atividades, em nome do Rotary International, junto ao governo brasileiro e agências, no trabalho de combate à poliomielite. O Rotary faz parte da GPEI (Iniciativa de Erradicação Global da Poliomielite), grupo formado pela OMS, Unicef (órgão da ONU na área da Educação), CDC Atlanta (órgão de prevenção e controle de doenças dos Estados Unidos) e Fundação Bill e Melinda Gates.  Ele explicou, ao Roraima Agora, o caso do ponto de vista técnico.

Roraima Agora – O que causou o caso de pólio na Venezuela?

Marcelo HaickTrata-se provavelmente de uma região inóspita e com taxas de cobertura vacinal provavelmente baixas, propicia a poliomielite derivada da vacina. Se a criança infectada tivesse sido vacinada, certamente estaria imune ao vírus.

RA – Houve queda na quantidade de crianças vacinadas no continente?

MHNo caso brasileiro, somos exemplo de estrutura nas campanhas nacionais de imunização. As autoridades sanitárias oferecem todas as condições ao público. Sempre tivemos percentual elevado na cobertura vacinal.

RA – O que é o vírus derivado da vacina?

MHA vacina oral é feita com o vírus selvagem atenuado. O vírus é metabolizado no sistema digestivo vindo a ser excretado com potencial de ser transmitido ao ambiente. Em áreas de baixa imunidade e condições de higiene precárias o vírus expelido pode afetar a criança que recebeu a vacina ou crianças na comunidade.

RA – Esse tipo de vírus pode se espalhar por outras regiões?

MHA tendência é que o vírus exposto ao ambiente, permanece restrito à referida comunidade.

RA – A única forma de evitar o vírus é através da vacina?

MHSim. A vacina garante a imunidade da criança.

 Rotary Club Boa Vista-Caçari - Ivete Bragato voluntaria em campanha de vacinação (Foto: Rotary Club Boa Vista-Caçari)

Vacinar é preciso

Só a vacinação em massa evita a contaminação pelo vírus da poliomielite. Os rotarianos do mundo inteiro fazem coro aos cientistas desde 1985, quando O Rotary International aceitou o desafio feito pela OMS de garantir recursos no patamar de 120 milhões de dólares para reduzir os então 350 mil casos anuais registrados no mundo inteiro à época.

Hoje, 33 anos depois, com mais de um bilhão de dólares investidos nas campanhas, mais a participação dos mais de 1,2 milhão de rotarianos como mão de obra, temos casos isolados na África (Nigéria) e Ásia (Paquistão e Afeganistão). O segredo do sucesso? Vacinação em massa.

A presidente do Rotary Club de Boa Vista-Caçari, Ivete Bragato, reforça o apelo. “Insistimos na necessidade de comparecimento aos postos de vacinação, no período de 6 a 24 de agosto”, alerta a dirigente.  “Pais ou responsáveis pelas crianças público-alvo das campanhas têm total responsabilidade pela integridade dessas crianças. Afinal, são vulneráveis, sem o poder de decidir sobre a própria vida”, reforçou Ivete.

 

 

           

Fernando Quintella

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