Falta de rola

Oi, gentem 

Não recebi nenhuma carta na semana passada. Acho que, com esse friozinho gostoso, a moçada está aproveitando pra furunfar debaixo das colchas de chenile. Mas, de repente, abro minha caixa de entrada e encontro e-mail de Annalucya Bezerra, 34 anos, terceirizada na limpeza do HGR.

Tia Lyka,

Parece que eu vim ao mundo pra sofrer. No último Natal, arrumei um caboco ajeitadinho. O macuá é acadêmico de Comunicação, tem 23 anos e, até pouco tempo, era puro amor e tesão. De janeiro pra cá, ele tem inventado umas desculpas meio esquisitas na hora em que eu quero transar. Até dor de cabeça, que é coisa de mulher fujona, ele tem arranjado. O que eu faço para trazer meu caboquinho de volta pro bem bom?

Annalucya,

Tua situação é complicada. Primeiro, eu diria que esse negócio de muita letra dobrada e inclusão de psilone no nome dá azar, mas não quero arranjar problema entre você e seus pais, que lhe batizaram com essa aberração. Segundo, eu pensaria na porra desse emprego que você arrumou: será que os constantes atrasos de repasses do Governo do Estado e consequente atraso de salários não estão afugentando teu picante? Existe, ainda, a possibilidade do caboquinho estar caçando periquita em poleiro alheio.

Se a terceira opção for a mais apropriada, meu conselho é que você vá à luta, se arrume bem arrumada e dê um rolê pela cidade em busca de outra pica operante. Não esquente a cabeça. Apesar de homem (com agá maiúsculo e que goste de mulher) estar meio em falta, pode ser que você encontre sua metade da laranja pelos points da city. Nada de procurar a Terapia do Amor da igreja desses crentes, pois você corre sério risco de ficar mais lisa do que já é.

Boa sorte,

Fui!!! 

O lixo aparente e a ‘sujeira’ sob o tapete
A descura
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