Brinquedo assassino do amor

 Um consumidor veio a mim fazer uma reclamação. Disseram-me que pediu para não fornecer o nome. Apesar do anonimato, fugi à regra e aceitei ouvi-lo.

Adentrou em meu gabinete com um objeto em mãos, a razão de estar ali. Na primeira impressão, achei que lembrava um órgão sexual masculino, mas também parecia um robô. O que seria aquilo? Fiquei intrigado.

Realmente era um objeto erótico. O reclamante comprou num sex-shop. A embalagem dizia ser uma mistura de vibrador com prótese.Constava escrito "sucesso garantido"! Mas, pelo fato de o comprador estar num órgão de defesa do consumidor, algo deveria ter dado errado...

Ele me disse a motivação da visita, uma cena inusitada! Era uma segunda-feira. E nosso reclamante tentou usar com sua namorada na última sexta-feira. Aí o problema: segundo ele, não houve nenhum 'uso' como deveria ser. A namorada estava há três dias rindo sem parar, nem conseguia falar com ele mais. Estavam a ponto de terminar o relacionamento!

Achei engraçado, mas me contive. Cometi o erro de pedir a ele para ligar o objeto: que coisa mais ridícula! PARECIA AGORA REALMENTE UM ROBÔ. FICAVA GIRANDO, COM UMAS LÂMPADAS PISCANDO, UMAS HASTES TIPO BRAÇOS SE MEXIAM, ATÉ UMA SIRENE FICAVA TOCANDO!

Senti intensa vontade de dar risada! Mas não podia, estava ali trabalhando. Reduzi minha respiração ao máximo, parecia ioga. Se respirasse um pouco para forte, eu cairia no chão em gargalhadas.

O reclamante queria o dinheiro de volta e uma indenização. Esteveantes na loja, porém não lhe deram ouvidos. Tecnicamente, o que eu faria? Aquilo seria uma 'falha do produto', que não atinge sua finalidade? Talvez até atingiu: não garantiu o prazer sexual, mas garantiu à namorada do reclamante um prazer de boas risadas! O caso estava mais para estelionato...

Como seria a prova técnica? Quem faria uma perícia para indicar se aquilo funciona ou não como era anunciado? A namorada teria que ser ouvida para dar a opinião dela? Minha vontade de rir aumentava, eu já me sentia com a pele roxa por segurar minha respiração. Eu iria entrar no estado zen, quase flutuava!

Daí a luz: disse a ele que seria preciso assinar uma reclamação. Pedi sua identidade. Ele abriu a carteira, tirou o documento, mas parou e pensou. Disse-me que deveria ir até o carro, pegar algo que esquecera. ATÉ HOJE NÃO RETORNOU PARA ASSINAR A RECLAMAÇÃO!

Evito recordar este episódio. Quando me lembro, eu começo a rir sozinho. E quem está próximo deve achar que estou meio doido!

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O milagreiro
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