Briga no zoológico

Ali pelo terceiro quarto do século passado, quando Roraima ainda era território federal, o novo governador chegou trazendo seu prefeito a reboque. É, naquele tempo, nossos prefeitos eram nomeados pelos governadores. Para familiarizar-se com o modus vivendi da terra de Makunaima, homem esperto, o novo chefe do Executivo do município, nomeou um nativo para chefiar a Divisão de Pessoal. 

Competente, o novo chefe de divisão tinha hábitos sexuais pouco heterodoxos: quando tomava umas cervejas, "ele deixava escapar a quarta", como diz meu amigo Tonhão. Na cidade, todo mundo sabia que aquele servidor municipal rabeava. Até a mulher dele sabia e estava sempre policiando as saídas do marido.

O novo chefe da Divisão de Pessoal, querendo impor austeridade e mostrar serviço como todo novo chefe atraiu a antipatia dos outros barnabés do município. Mas, como se dizia naquele tempo, "ele não dava nem cartaz". Desde muito tempo, a prefeitura mantinha seu Leãozinho, um alcoólico, em sua folha de pagamento. Trabalhasse ou não, o bebum recebia sua graninha todo fim de mês.

Numa manhã de segunda-feira, ao visitar o almoxarifado da repartição, o novo chefe da Divisão de Pessoal viu uma rede atada. Aproximou-se e, dentro da fianga, deu com Leãozinho todo vomitado, exalando forte cheiro da cachaça consumida no fim de semana. Incomodado, ele sacudiu a "Filomena" e, quando, o bebum acordou, bradou:

- Que que é isso? Dormindo durante o expediente em plena manhã de segunda--feira?

- Durmo. A rede é minha, o sono é meu, a ressaca é minha... Durmo mesmo.

- Pois se o senhor não se levantar agora e tomar conta de seus afazeres, vai ser demitido.

- Duvido, seu moço. Olhe, cabra safado, eu vou lhe dizer: sou Leãozinho... Leão! E desde quando um simples "viado" vai querer mandar no rei dos animais?

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O problema estava na cabeça
Liberando o roscofe
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