A quenga do coronel

Betinho, músico sem carreira, fazia biscates para sobreviver. Certo dia recebeu uma proposta que mudou sua vida. Recebeu proposta para ensinar a quenga de um poderoso que queira ser cantora profissional. A moça veio, ele se encheu de olhos por ela e topou. Por dos motivos: a grana era boa e a dona um pitéu.

Mas quando a fulana abriu a boca, o som veio na forma de fabordão, todo desentoado, e então ele soube que era trabalho perdido. O bom de tudo é que a moça caiu por ele e durante meses dividiram a mesma cama enquanto tomavam a grana do coronel. Até o dia em que ele resolveu ouvi-la cantar. Para encurtar a conversa: acabou-se a grana, só restou a cama. E os dois foram infelizes para sempre. Fabordão - [Do fr. faux-bourdon.] - Substantivo masculino - 1.Mús. Uma das mais antigas formas de polifonia vocal, a três vozes, em contraponto simples de primeira espécie (nota contra nota), e na qual a nota fundamental, ou bordão, pas-sou da parte mais grave para a parte superior, formando séries de terças e sextas paralelas; 2.Mús. Música desentoada, sem pausas; 3.Dissonância; desentoação; 4.Fig. Sensaboria, insipidez; monotonia.

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